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"Toda a Verdade passa por três fases.
Primeiro, é ridicularizada.
Segundo, é violentamente atacada.
Terceiro, é aceite como evidente"
Schopenhauer

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Compartilhar com os filhos
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por Rainer Daehnhardt

Entramos na fase onde os media nos bombardeiam com desenfreada desinformação para nos manter confusos, distraídos, sem alvos ou metas a atingir.

Andar por aí tristonho, vendo muito do nosso mundo a tombar e antigas certezas transformarem-se em cacos pisados sob os nossos pés, não ajuda em nada.

Devemos olhar para o nosso dever de exemplo para com os nossos filhos e netos. Afinal será a eles que entregaremos a liderança para o futuro.

Como disse, e muito bem, o Prof. Agostinho da Silva, devemos redescobrir a criança dentro de nós e coroá-la. Lá chegará a hora!

O que para já podemos e devemos fazer é compartilhar a alegria patente nos jovens à nossa volta.

A esponja mágica limpou-lhes de cima o passado, que não os agarra e também não afoga.


Livres como o vento, saltam para a frente, com o sorriso da aurora, que tudo de bom espera e com alegria promete.

O mais precioso que podemos dar aos nossos filhos e netos é atenção, carinho e amor.

A minha filha mais nova, minha "Número Cinco", dedicou diversos anos da sua ainda tão curta estadia terrestre a algo onde se sente realizada: a ginástica rítmica. Foram anos de treino, suor, desgostos, lesões no corpo e apertões na alma, tristezas e vitórias, sem nunca desistir, para realizar o sonho de fazer parte de um grupo que se apresenta perante o grande público.
Chegou, finalmente, o grande dia e marcaram-lhe a apresentação para o "bunker" de Belém. Contente por ter chegado a esta meta, estava também muito triste porque sabia que seu pai a não iria ver porque, simplesmente, não entra no "bunker".

O que pelos ignorantes e insensíveis é considerado um Centro Cultural, para seu pai é um monstro vergonhosamente erguido sob as ruínas de um dos locais mais sagrados da lusa gente.

Durante as escavações dos alicerces deste hediondo complexo, redescobriu-se o CAIS DE BELÉM. O local de onde Vasco da Gama partiu. Onde os batéis encostavam para levar todos os nossos grandes dos séculos XV, XVI e XVII às suas caravelas, naus ou galeões, ancoradas no Tejo.

Tal como aos americanos coube venerarem a sua rampa de lançamento das naves, que levaram os seus homens para o espaço, a nós compete salvaguardar cada degrau deste cais, pisado por gente digna de Portugal, que abriu o acesso do globo terrestre à humanidade.

O CAIS DE BELÉM encontrava-se em tão bom estado (apenas areado no século XVIII a XIX), que ainda tinha grande parte da sua casinha da alfândega.

A redescoberta da existência deste cais foi por mim recebida com grande alegria. Tive conhecimento do achado no próprio dia, por duas fontes: através do Director do Museu de Marinha e do General, Chefe da Casa Militar da Presidência da República. Ambos combinaram comigo visitar o CAIS DE BELÉM, no dia seguinte.

Porém, o país já tinha sido entregue a economistas globalistas, sem sentimento de espécie alguma para com as lusas raízes. Ainda nessa noite, ordenou-se a destruição deste ALTAR PÁTRIO, para não dar oportunidade aos "cocabichinhos" vinculados ao passado, de atrasar tão "preciosa" obra. Arrepia-me ter que passar por este monumento à imbecilidade, nascido do anti-portuguesismo e da subserviência a um globalismo supostamente inevitável.

Cada vez que empresto obras de arte a entidades governamentais lusas, que as levam para exposições itinerantes, ponho a condição de que nenhuma das minhas peças será exposta no "bunker" de Belém. Explico o porquê e dão-me sempre razão.

Agora, fui confrontado com o olhar da minha "Número Cinco", que me dirigiu as seguintes palavras: «Papi, eu sei, e compreendo, que tu não queres entrar no "bunker" de Belém. Mas o grande auditório é mais ao lado e para mim significava tanto se tu lá estivesses. Vou ter de imaginar que tu lá estás e vou fazer o meu melhor e depois vou deixar de ser ginasta. É a última vez e gostava tanto que me visses!».

Obrigou-me a colocar nos pratos da balança o que sentia sobre esta questão. Num lado, coloquei todo o peso do grito da minha alma, quando soube que destruíram o CAIS DE BELÉM, para ali colocar este monstro (até ilegalmente porque não se pode construir a menos de “x” metros de um Monumento Nacional, que o Mosteiro dos Jerónimos certamente é). No outro, coloquei o meu amor e respeito pela minha filha. Sabia que este dia seria de grande importância para ela e que lhe daria uma grande alegria em estar presente.

Sei que a qualidade de construção do "bunker" condiz com tudo o que então se fez e tem os anos contados. Estou convicto de que a minha filha vai sobreviver ao "bunker" de Belém e a alegria por o pai ter "engolido o sapo" e por ela ter entrado neste labirinto ventoso, que mete água por tudo que é sítio, iria ser tanta, que optei por estar presente.

Confesso que me virou as tripas entrar, mas a sua alegria, bem patente na fotografia do seu salto (aqui apresentada), compensaram-me e não me arrependi.

Image

Devemos saber onde estão as nossas prioridades e não é em "marrar" numa teimosia, mesmo com carradas de razão, que ajudamos a construir um futuro melhor.

É em amar os nossos filhos e dando-lhes atenção e carinho!


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  Comentários (4)
1. Escrito por Oliveira Dias website, em 02-06-2013 01:00
Rainer. Parabéns. Eu faria o mesmo.
2. Escrito por Ana Loureiro, em 09-06-2013 23:00
Com efeito, sentimentos tão nobres como os que nutrimos pelos nossos filhos se sobrepôem, por vezes, às nossas convicções.
3. Escrito por Joaquim B. Saltão, em 11-08-2013 18:29
Caro Rainer: 
Procedeu como um verdadeiro PAI que é e conhecendo bem a sua idiossincrasia, há muitos anos, outra atitude não espearava de si. 
Oxalá o tempo se encarregue de fazer justiça, já que os homens não são capazes de o fazer. 
Com amizade, 
Joaquim
4. Escrito por Maria, em 12-08-2013 00:14
A fotografia é linda. Os nobres sentimentos de um pai, como estas sentidas palavras de carinho e amor para com sua filha amplamente o demonstram, merecem muito respeito. Tanto quanto o sentimento genuíno que lhe preenche a alma lusa de que tanto se orgulha e que, como defensor acérrimo desta nossa Pátria amada, igualmente enche de orgulho os portugueses que o são de corpo e alma.

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