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"Toda a Verdade passa por três fases.
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Uma falsificação que não o é
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Assunto confidencial: “Acta de Chanceler”

Frau Merkel, a senhora está a mando de quem?

À parte do conhecimento da imprensa, há vários anos que circula uma tal “Acta de Chanceler”! Segundo o documento confidencial, os Chanceleres da República Federal da Alemanha têm de assinar uma declaração de submissão aos antigos Aliados da II Guerra Mundial. Será que, na verdade, a soberania da Alemanha está limitada?

As acções do Governo Federal, em relação às questões de pacotes de resgate, apresentam enigmas a alguns observadores. Em princípio, o Governo actua contra qualquer perícia económica e, além disso, penhora as poupanças dos seus cidadãos, poupanças essas que, provavelmente, desaparecem irremediavelmente no grande buraco negro de Bruxelas.

Na realidade, há muito que a Alemanha já devia ter saído do euro, por interesse próprio. Porém, os chefes de todos os partidos parlamentares e editores-chefes da imprensa proclamam em uníssono, quais partidos bloquistas da RDA, que não querem que isso aconteça. Agora põe-se a questão: será que a Alemanha pode mesmo sair do euro? Será que o Governo tem poderes de decisão para poder fazer ou deixar de fazer o que o país e o povo querem? Um igualmente desconhecido documento diz que não.

Parece que esta “Acta de Chanceler” faz parte de um secreto tratado de Estado, datado de 21 de Maio de 1949, com o qual os Aliados queriam assegurar o seu poder de decisão sobre a Alemanha Ocidental e os seus meios de comunicação, após a guerra. Até ao ano de 2099! Parece que todos os Chanceleres da Alemanha Federal têm de assinar essa Acta antes de tomarem posse.

Tratado secreto

Em 2007, o documento foi trazido a público, ao ser mencionado pelo General-major Gerd-Helmut Komossa. O baptismo mediático não podia ter vindo de pessoa mais autorizada, já que Komossa fora chefe dos serviços de informação militares (MAD) que, além dos Serviços Secretos Federais e dos Serviços Federais para a Protecção da Constituição, pertencem aos três serviços de notícias da Federação. O seu livro “O mapa alemão – O jogo escondido dos Serviços Secretos”, publicado no mesmo ano, estava cheio de informações de fundo explosivas. Incluindo a “Acta de Chanceler”. Na página 21 podemos ler:

« (…) O tratado de Estado, de 21 de Maio de 1949, foi classificado como “Estritamente Secreto” pelos Serviços Secretos Federais. Nele, as restrições fundamentais dos vencedores, quanto à soberania da Alemanha Federal, foram estipulados até ao ano 2099, algo que hoje poucos devem saber. Depois, a “ressalva dos media das Forças Aliadas sobre jornais e meios de transmissão alemães” foi fixada até ao ano 2099. Também foi estipulado, por determinação dos Aliados, que todos os Chanceleres Federais da Alemanha teriam de assinar a “Acta de Chanceler” antes da sua tomada de posse. Além disso, as reservas de ouro da República Federal ficaram penhoradas.»

Interrogado se as suas declarações se baseavam no Documento-Rickermann, o General respondeu afirmativamente, logo após a publicação das suas memórias. Segundo Komossa, ele detinha a fotocópia do documento citado. Teve acesso a ele devido à sua posição e que lhe fora remetido por uma pessoa de sua confiança.

Tanto a imprensa mundial como os media alemães ignoraram a notícia sensacional, ou atacaram o General acentuadamente. Apenas a Russia Today – uma estação televisiva difundida em 100 países – conseguiu transmitir uma informação objectiva. A RT salientou que estavam a criar uma enorme pressão pública contra o ex-chefe do MAD. “Consequentemente, Komossa recusou-se a dar mais entrevistas e pediu desculpa por alguns capítulos desagradáveis no livro” (http://www.youtube.com/watch?v=WnQoVG8DDKo).

Mas mal o caluniado sumiu, fez-se ouvir outra individualidade importante da política interna e de segurança alemã.

Willy Brandt indignado: “Submissão”

Nada mais, nada menos, o próprio Egon Bahr confirmou a existência de um documento de subjugação que todos os Chanceleres tinham de assinar. Numa série de Zeit Online com o título “A minha Alemanha” escreve ele, a 14 de Maio de 2009, sob o título “Três cartas e um segredo de Estado”, sobre um acontecimento que ocorreu no Outono de 1969, após a tomada de posse de Willy Brandt como Chanceler da Alemanha: Brandt era importante para informar o que lhe “aconteceu hoje”. Bahr recordou: “Um alto funcionário apresentou-lhe 3 cartas para assinar. Elas eram dirigidas aos Embaixadores das três potências – os EUA, a França e a Grã-Bretanha – na sua qualidade de Altos-comissários. Com isso, ele devia confirmar o que os governadores militares, na sua carta de aprovação da Constituição, de 12 de Maio de 1949, tinham acordado. Como titulares dos irremíveis direitos de vencedores eleitos para a Alemanha, como um todo, e Berlim, tinham suspendido – portanto, anulado – os artigos da Lei Fundamental que consideravam que limitava a sua soberania. Isto era verdade mesmo para o artigo 146 que, após a unificação alemã, previa uma Constituição, em vez da Lei Fundamental”. Bahr prosseguiu: “Brandt estava indignado por lhe exigirem que assinasse uma carta de submissão. Afinal de contas, ele era o Chanceler Federal eleito e comprometido com o seu juramento de posse. Os embaixadores não podiam afastá-lo! Foi preciso informá-lo que Konrad Adenauer tinha assinado a carta, tal como, Ludwig Erhard e Kurt Georg Kiesinger a seguir. Que, entretanto, os governadores militares se tinham transformado em Altos-comissários e que após o Tratado da Alemanha, e apesar da adesão à NATO, em 1955, quando fora proclamada a soberania alemã, nada alterara. Ele disse, para terminar: «Portanto, também a subscrevi» – e não voltou a falar do assunto”.

Bahr, Secretário de Estado na altura, e principal conselheiro de Brandt continua: “Já Adenauer tratara o seu reconhecimento da soberania dos Aliados como segredo de Estado. Ela não encaixava muito bem na atmosfera que existia dez dias antes da fundação do Estado, e as três potências também não tinham interesse em tornar público este requisito para o dia 23 de Maio de 1949. Este não foi um caso único. (…) Uma vez, quando mencionei as cartas de Chanceler a Richard von Weizsäcker, antigo Presidente da Republica Federal, fiquei espantado ao vê-lo reagir com surpresa. Ele não sabia de nada. Não foi preciso nenhum acordo especial: tanto os alemães implicados no assunto, como os Aliados tinham o mesmo interesse em não tornar público esta manifestação da limitada soberania alemã.”

O facto deste testemunho importante, ao falar de “cartas de Chanceler”, se referir à “Acta de Chanceler” foi revelado pelo semanário berlinense “Junge Freiheit”, cujos jornalistas visitaram Bahr na Casa Willy Brandt, no Outono de 2011. Para este antigo Ministro Federal, e dirigente de longa data do SPD, a questão da soberania era tão importante que, para esta ocasião, escreveu um artigo (“A mentira piedosa da República Federal, 16.10.2011) para o jornal que ultimamente se está a interessar pelo tratado secreto explosivo.

O importante é que Bahr dá a entender que os Aliados continuam a usufruir dos privilégios, mesmo após os tratados 2+4 que selaram a reunificação alemã. “A República Federal da Alemanha e a República Democrática Alemã tiveram de escrever uma carta, que elaborei com Michael Kohl – Secretário de Estado da RDA – para os nossos grandes amigos, que os direitos de vencedor não desapareceriam com a unificação dos dois estados. Mas isso já não interessa dado os quatro terem garantido que deixariam de os exigir…” No seu livro, editado em 2002 pelo Grupo C.H. Beck, “Os Direitos do exército de ocupação na Alemanha reunificada” o jurista Dr. Michael Rensmann elucidou e manteve que uma parte dos direitos das tropas de ocupação continuaria a ser mantida sob segredo. Bahr prossegue: “Na Carta das Nações Unidas ainda existem os artigos dos Estados inimigos segundo os quais, em caso de uma eventualidade, os vencedores podem activar os seus direitos sobre a Alemanha”.

Disposição económica, política e mediática como razão de Estado

É de facto significativo como a política alemã se sujeitou, até hoje, às exigências da “Acta de Chanceler”. Assim, a maior parte das reservas de ouro alemãs não está armazenada na Alemanha, mas nos EUA, Grã-Bretanha e França, conforme previsto no papel incriminador. Os proprietários nominais não têm acesso ao “seu” tesouro. Quando os deputados federais Philipp Missfelder e Marco Wanderwitz (ambos do CDU) pediram, através do Bundesbank, para ver o ouro depositado em Londres, Paris e Nova Iorque, o pedido foi rejeitado sem rodeios. Segundo o Stuttgarter Nachrichten, de 24.10.2012, o “irmão” americano nem sequer estava disposto a apresentar uma lista dos lingotes, daí que o jornal presume que o ouro já tenha mudado de mãos. Também o jornalista económico e moderador de TV (WDR, RTL, NTV, n24n CNBC) Michael Mross pensa que «o ouro alemão há muito que desapareceu». Para Mross o paradeiro do ouro alemão é um mistério onde ele não exclui a hipótese de existirem tratados secretos, em consequência dos quais os alemães terem tido de ceder o ouro como penhora, após a guerra. «É o que o silêncio da política e o comportamento duvidoso do Bundesbank, nos últimos anos, nos leva a pensar.»

Mas a perda do ouro por parte da Alemanha é um entre muitos pontos que mantêm viva a memória da Acta de Chanceler. Observadores politicamente atentos vão recordar-se que os novos Chanceleres viajam para os Estados Unidos sempre antes e não após a sua tomada de posse, com os seus conselheiros. Gerhard Schroeder e o seu “vice” Joschka não foram excepção à regra, em 1998. A ser verdade que a comissão governativa ligada à Acta de Chanceler está hoje sediada nos Estados Unidos, então, este passo faz sentido. Tal como as palavras que Fischer é suposto ter proferido, após a sua visita de tomada de posse ao big brother: «Quando as maiorias se alterarem, é possível que haja uma outra coligação. Mas não vai haver outra política. Para tal, existe demasiado em jogo. Todos os participantes sabem isso». Hoje, o antigo radical de esquerda e combatente de rua exerce a função de chefe do ECFR, uma filial da rede americana Think-tank CFR. E chama de regresso às hostes os políticos alemães que dali agem de forma independente. Quando Berlim, por altura do envolvimento da NATO na Líbia, pisou no travão da guerra, Fischer disse mordazmente: “O comportamento do governo federal no conflito da Líbia, com a abstenção no Conselho de Segurança da ONU, é um fracasso, talvez o maior desastre da política externa desde a fundação da República Federal”. Westerwelle ofendera os parceiros ocidentais na medida em que seguia uma “política ocidental independente” e buscava novas parcerias estratégicas. Mas as constantes básicas da situação alemã não se tinham alterado: “Devíamos ter o máximo interesse em conservar a nossa ligação como parte do mundo ocidental – daí tornar-se prioritário, até mesmo indispensável, a conclusão do processo de integração europeia”.

A lealdade inquestionável de Fischer para com os “parceiros” americanos e europeus, em Londres e Paris, é feita como que por medida segundo a linha da Acta de Chanceler. Em último caso, se – na unificação da Europa – não existir, na verdade, nenhum espaço de manobra diplomático, então, tornar-se-á claro porque Berlim decide aqui tão resolutamente contra o seu próprio povo. Por que motivo o Governo Kohl, contrariamente a qualquer lógica racional, TEVE de aceitar o euro, abandonando o marco estável, e as aberturas do mercado de trabalho. Porque é que a população NUNCA PÔDE ser consultada sobre o processo de unificação. Porque motivo o Tribunal Constitucional Federal foi OBRIGADO a aprovar a violação da Lei Fundamental resultante do Tratado de Lisboa e do Tratado MEE. E porque é que a imprensa se manteve calada sobre tudo isto, sim, participando até no jogo de forma ágil.

O livro “A única potência mundial. A estratégia americana da hegemonia”, de Zbigniew Brzezinski, antigo conselheiro de segurança influente do antigo presidente Jimmy Carter, desperta recordações. Nele ele diz que os alemães teriam honra de ser “vassalos tributários” dos EUA. Quando um dia num pódio, em Viena, ele reafirmou esta tese também em relação à Áustria, o Ministro dos Negócios Estrangeiros permitiu-se de dizer calmamente: “Mas, Sr. Brzezinski, nós somos parceiros”. Ao qual este retorquiu: “Está bem. Então, são parceiros tributários”.

Publicado originalmente em doriangrey.net


Lido: 3601

  Comentários (1)
1. Escrito por Fernando Iepsen, em 12-01-2013 01:00
Como não foi assinado o armistício da II Guerra, a Alemanha continua submissa e espoliada pelos vencedores. Uma vergonha...

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