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O resgate do euro amarra a Alemanha a um cadáver. Afinal, quem ganha com a manutenção do euro? A política de resgate ajuda os exportadores alemães com negócios com estados em crise – para detrimento dos contribuintes. Seria melhor deixar morrer o euro. Por Gunnar Beck, perito em direito europeu na Universidade de Londres. O bem-estar da Alemanha depende do euro. Não são apenas os porta-vozes do cartel de partidos da RFA, desde há muito sincronizados em questões relacionadas com a UE, que não se cansam de evocar o chavão já gasto da Alemanha como maior beneficiária do Euro. Também foi o que o presidente do BCE, Draghi, com aquele seu eterno sorriso sarcástico, explicou de uma forma instrutiva, perante os Volksbank e Raiffeisenbank alemães, que 40% do produto social alemão dependiam do comércio com a zona-euro. Não houve qualquer protesto nem qualquer retificação posterior. Parece que todos os bons alemães aceitam, por enquanto, tudo o que o Banco Central Europeu lhes diz.
A verdade é que o total das exportações corresponde a cerca de 40% do desempenho económico alemão. A participação do comércio na zona do euro perfaz apenas 38 a 39% da exportação total. Com isso, a exportação alemã, na zona euro, corresponde nominalmente apenas a cerca de 15% do produto social bruto alemão. Em termos reais, a percentagem ainda é menor, porém, a maior parte das exportações alemãs para a zona do euro que está com dificuldades já não é paga pelos países importadores. Ela é financiada e subsidiada pala Deutsche Bundesbank. Entre 1998 e 2011, o total da exportação de mercadorias alemãs cresceu mais de 117 por cento. Em contrapartida, em comparação com as estatísticas internacionais, durante o mesmo período, a economia alemã cresceubem abaixo da média. Segundo o Eurostat, a taxa de crescimento anual da economia alemã foi apenas de 1,4%, em comparação com 1,7% para a França, 2% para a Holanda, 2,8% para a Suécia, 2,1% para a Grã-Bretanha e um crescimento médio de 1,8% para a UE. A Alemanha também ficou muito atrás dos EUA, com 2,1%. Só o Japão, Itália, Portugal e Grécia tiveram uma taxa de crescimento mais baixa, de 1998 a 2011. Enquanto a indústria de exportação apresentava um recorde de lucros, o padrão de vida de grande parte da população alemã estagnou desde a introdução do euro. Segundo os cálculos de Charles Dumas, chefe da Lombard Street Research de Londres, a receita média disponível per capita dos alemães aumentou, entre 1998 e 2011, apenas cerca de 7%, em comparação com as taxas de crescimento de 13% para a Espanha e mais de 18% para o Reino Unido, França e Estados Unidos. Apenas para a Itália e o Japão houve uma baixa taxa decrescimento. Hoje a Alemanha está mais pobre do que era em 1998, em comparação com os seus vizinhos e muitos Estados-membros da UE. Se levarmos em conta a crescente desigualdade de rendimentos, na Alemanha, ao longo dos últimos 20 anos, o crescimento contido do rendimento médio privado apenas significa que os salários reais de muitas pessoas não subiram em 20 anos, tendo até caído em termos reais. O estado social alemão, paradigmático na Europa já desde Bismarck, com o seu sistema de saúde, pensões de reforma e segurança social, continuamente ampliado e durante longo tempo exemplar, transformou-se, em certos aspectos, num país de baixos salários com um rápido crescimento da desigualdade social, uma evolução demográfica catastrófica e uma prática irreflectida de imigração, que facilita a entrada dos imigrantes para a rede social directamente a partir do mercado de trabalho.
Fonte: Handelsblatt – 26.11.2012 Lido: 3804
1. Escrito por manuel melo bento, em 29-11-2012 14:56 um bom texto para se aprender aquilo de que pouco sabemos sobre a alemanha. a comunicação social passa a vida a deturpar a realidade e esta depende de quem manda nela. |
2. Escrito por manuel a m bento, em 10-01-2017 16:52 Sempre que a indústria alemã cresce, "pondo em perigo" a da Inglaterra e a da América, acaba por ser penalizada. É ver-se o modo como todas as marcas alemãs de carros estão a ser sujeitas a um ataque de consequências trágicas para a economia da Europa comunitária. Há quem se tenha proposto destruir a união europeia. Para isso basta acabar com a Alemanha... |
3. Escrito por manuel alfredo da silva melo b, em 10-01-2017 16:15 Já não é de agora - mas sim desde 1945 - que os alemães estão a pagar os custos sociais de países europeus que vivem fora da realidade económica. Serão os seus aliados(?) ocidentais que a estarão (numa forma indirecta) a obrigá-la a pagar os custos da segunda guerra? Custos esses que parece nunca mais ter fim... |
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