Adicione aos Favoritos
Clique para Pesquisar
    
 
"Toda a Verdade passa por três fases.
Primeiro, é ridicularizada.
Segundo, é violentamente atacada.
Terceiro, é aceite como evidente"
Schopenhauer

VISITAS
1639387
Desde 13/06/06

Quando regressa o marco alemão?
PDF Imprimir e-mail
ImageSegredos do Euro 9
Por  Uwe Linke

O povo tem saudades dos tempos do marco alemão e espera que com o afastamento do impopular euro todas as dificuldades vão desaparecer. Torna-se cada vez mais claro que a classe governante em nada se preocupa com o povo, nem com o bem-estar e a prosperidade das massas. É cada vez mais claro que o objectivo é o Estado-unitário europeu, onde já não há lugar para os povos enraizados. A cultura europeia, ocidental tem de perecer e ser substituída por uma amálgama unitária ditatorial de produtores e consumidores.

Aqui (na RFA), muitas pessoas acham exagerado a referência ao ambicionado Estado-unitário. Porém, “quem tiver ouvidos, que ouça”. É preciso saber ler nas entrelinhas e entender o verdadeiro sentido das palavras proferidas no discurso. Frau Merkel (será que este é mesmo o seu nome?) disse na Morgenmagazin do ARD de 7 de Junho: «Nós não precisamos apenas de uma união monetária, também precisamos de uma união fiscal, ou seja, uma política nacional comum. E, acima de tudo, precisamos de uma união política». (No que se refere ao SPD e os Verdes, com esta declaração, Merkel arromba portas abertas. Segundo Gabriel, Secretário-geral do SPD, não há alternativa. Isso significa, «temos de dar nossas autoridades à Europa, passo a passo». Se cedermos mais autoridade ao Moloch, em Bruxelas, bem podemos encerrar o Parlamento Federal e o Conselho Federal, e despedir todo o Governo. Isso poupar-nos-iria muito dinheiro. Já assim, cerca de 80% das leis promulgadas pelo pretenso Parlamento alemão são directrizes de Bruxelas. O Parlamento tem de converter estas directrizes em leis nacionais. Senão, haverá pesadas penalidades, ameaça a UE.

Mas voltemos ao sistema monetário. Quase todos os políticos e inúmeros “especialistas” oficiais dizem que é praticamente impossível um regresso aos antigos sistemas monetários nacionais. Seria tão caro que a própria República Federal da Alemanha perderia a sua capacidade de solvência e todos nós viveríamos na miséria. (O Sr. Kohl, principal impulsionador da introdução do euro, salientava sempre que tudo aquilo tinha de ser irreversível). Perante isto, só podemos afirmar que a conservação do euro levará todos os Estados europeus a um declínio financeiro, económico e político. Sempre é melhor ambicionarmos um fim com um susto enorme do que um susto enorme sem fim. Especialistas sérios determinaram que seria muito mais vantajoso para nós sairmos do euro a sermos os tesoureiros pagadores permanentes da Europa. Certos círculos já agora exigem que a República Federal da Alemanha assuma todas as dívidas da Europa. Seria a “guerra total” contra a Alemanha.

As notícias T-online, de 1.6.2012, informam que dois economistas americanos de renome fizeram uma proposta importante e muito ponderada. Estes dois economistas, Clyde Prestowitz (fundador e presidente do Economic Strategy Institute, em Washington) e John Prout (antigo director financeiro do Crédit Commercial de France) dizem que o problema da zona-euro não é a Grécia, mas sim a Alemanha.

A fundamentação é simples e muito compreensível, até para não-economistas. O euro reflecte a média conjunta da capacidade de concorrência do espaço europeu. Porém, a Alemanha está muito acima dessa média. Portanto, o euro é demasiadamente fraco para a Alemanha.

Consequentemente, o problema não está na debilidade dos países periféricos como a Grécia, Espanha, Portugal e Irlanda, mas sim na Alemanha que é demasiado forte. Enquanto os outros países estão presos ao euro, de certa maneira, segundo os economistas americanos, para se tornarem competitivos, o único caminho é “tornarem-se alemães”.

Tornarem-se alemães” significa aumentar ainda mais as medidas de austeridade na despesa pública, diminuir as despesas com a assistência social, aceitar ordenados mais baixos e um desemprego mais elevado. Mas com isto, não conseguiram exportar mais, nem vão conseguir. É a “enorme capacidade de concorrência” da Alemanha que o impede.

É nesta situação confusa que os economistas americanos aconselham que a Alemanha (não a Grécia ou outros países em crise) saia da zona-euro e que regresse ao marco alemão. O marco alemão seria revalorizado e o euro desvalorizado. O resultado disso seria a Alemanha aumentar as importações e diminuir as exportações. Na restante zona-euro seria precisamente o contrário. A crise estaria resolvida. Para já, a Alemanha teria de pagar pela salvação do euro. As exportações diminuiriam e o desemprego, provavelmente, aumentaria. Com o regresso do marco alemão o fluxo do capital voltaria a afluir para a Alemanha e proporcionaria investimentos que manteriam baixos os juros e a inflação.

Estas despesas seriam substancialmente mais baixas do que pagar, primeiro pela Grécia, depois pela Espanha e, seguidamente, por os demais países. Segundo os economistas americanos, «os riscos “desconhecidos” com uma retirada do euro da Alemanha parecem ser mais controláveis, quantificáveis e até conhecidos do que os riscos ligados a inúmeros programas de austeridade, agitação popular e polarização política». Portanto, a crise do euro pode ser resolvida de uma forma muito simples. Quanto tempo faltará ainda à vontade política para este passo consequente? Tanto os pretensos como os verdadeiros economistas deste sistema salientam sempre que, para a Alemanha, o regresso ao marco é demasiado caro e que não é financiável. Isso não passa de propaganda. Até os economistas americanos explicam que, na fase de transição, as despesas seriam muito mais baixas do que os actuais compromissos de pagamento e os futuros, até ao dia de São Nunca. Os políticos conscientes da sua responsabilidade deviam dar já o passo de regresso ao marco alemão.

É curioso que as reflexões dos americanos estiveram apenas um curto espaço de tempo nas notícias T-online. Após poucas horas, elas foram apagadas. Será que o povo não se deve deparar com uma solução boa e aceitável?

Também há que notar que o marco alemão não é a moeda tradicional da Alemanha. É o Reichsmark. Foram os americanos que trouxeram consigo o marco alemão, como dinheiro de ocupação. As primeiras notas foram impressas nos EUA, antes da reforma monetária, em 20 de Junho de 1948.

Image

Nota de 50 Marcos impressa nos Estados Unidos da América em 1944. Colocadas em circulação na Alemanha pelas forças de ocupação. Tanto o feitio como o aspecto geral mostram grande semelhança com o Dolar americano, porém quem trocasse dólares americanos por Marcos era, então, sentenciado à morte. Tiveram circulação desde 1945 até 1948 sendo depois substituídas pelo DEUTSCHE MARK, outra criação americana.

Image

Dinheiro verdadeiramente alemão: Nota de 100 REICHSMARK emitida em 1908 pelo Reichsbankdirektorium de Berlim.

 


Lido: 3872

  Comentários (1)
1. WARUM?
Escrito por Henrique Salles da Fonseca website, em 05-07-2012 19:45
http://abemdanacao.blogs.sapo.pt/719956.html

Escreva um comentário
  • Por favor, faça um comentário relacionado apenas com o artigo.
  • Os comentários serão validados pelo administrador antes de aparecerem no site.
  • Evite erros ortográficos e/ou gramaticais.
  • Ataques verbais e/ou pessoais não serão publicados.
  • Não utilize os comentários para fazer qualquer publicidade.
  • Se preferir, não necessita de indicar o seu e-mail.
  • Caso tenha indicado um código de validação errado, faça *Refresh* para obter um novo.
Nome:
E-mail:
Página Pessoal:
Título:
Comentário:

Código:* Code
Pretendo ser contactado por e-mail caso haja futuros comentários

Powered by AkoComment Tweaked Special Edition v.1.4.6
AkoComment © Copyright 2004 by Arthur Konze - www.mamboportal.com
All right reserved