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"Toda a Verdade passa por três fases.
Primeiro, é ridicularizada.
Segundo, é violentamente atacada.
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Schopenhauer

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Rodando o Escudo de D. Sebastião
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Por Rainer Daehnhardt

Sentado em frente à lareira acesa e rodando um escudo de D. Sebastião nas mãos, ocorreram-me os mais diversos pensamentos.

Ter o privilégio de poder ver e sentir, em simultâneo, dois dos três escudos sebastianistas conhecidos (o 3º está no Musée de l’Armée de Paris), é algo de fabuloso, que deve ser compartilhado. Sinto-me apenas o fiel depositário destes objectos que escreveram páginas da história do Mundo Português. O que são os 14 anos, tantos quantos os que detenho na minha posse um deles? São apenas 5.115 dias, ou seja, pouco mais de um quarto do número de minutos em que possuo o segundo escudo (o funerário). É o tempo que nos confunde e tudo é tão relativo quando estamos perante peças com perto de meio milénio! O próprio feitio do círculo tem algo de rotativo!

Sinto o dever de compartilhar e assim digo o que me vai na alma.

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Armadura equestre do Duque de Saboia na Real Armeria de Turim.
Foram duas armaduras destas que Emanuel Filiberto de Saboia ofereceu ao seu prtimo, D. Sebastião, Rey de Portugal.

Terá sido o Rei Menino que foi enterrado nos Jerónimos? No seu cortejo fúnebre, acompanhou-o um cavalo de sela vazia, com teliz e xairel negro, levando na sua anca esquerda este escudo funerário.

Por ora ainda não o sabemos. Porém, uma análise cuidada ao ADN, tanto dos restos mortais no sarcófago, como dos restos de sangue no elmo da batalha de Alcácer-Quibir, poderão dar as respostas definitivas.

Um dos relatos desta batalha, faz referência ao facto de o nosso jovem monarca ter trocado de cavalo e armadura com um seu escudeiro. Outro documento, diz-nos que foi um suíço que foi encontrado na armadura do Rey e que não se conseguiu tirar-lhe o elmo por ter a cabeça maior do que a de D. Sebastião.

Este relato contém um pormenor que o exame ao elmo reconhece como hipótese.

O elmo de D. Sebastião tem a protecção craniana batida de uma peça só. Esta é tão grande que chega a fechar ligeiramente à frente, permitindo apenas a entrada de uma cabeça de dimensão específica. Não há dúvida de que se tratou de uma encomenda especial, feita após a primeira ida de D. Sebastião para África (1574) e entregue antes da segunda (1578). Se, como diz o relato, o suíço era ligeiramente maior do que D. Sebastião, pode, recorrendo à força, ter conseguido encaixar a sua cabeça no elmo. O retirar do mesmo, seria então bem complicado. Em África, não se conseguiu e o corpo foi enterrado com o elmo, tanto na casa do Alcaide de Alcácer-Quibir como na nossa fortaleza de Ceuta.

Apenas em 1582, após a chegada do corpo resgatado a Lisboa, é que se conseguiu separar o defunto do elmo.

Vejo os dois escudos à minha frente.

O da armadura recuperada na Christie’s de Londres, em 1997, que fez parte dos elementos da segunda armadura milanesa oferecida pelo Duque de Sabóia, tem o fundo gravado a ouro, com 53,5 cm de diâmetro, 4.587 gramas de peso e uma espessura média de 2 mm (medidos antes da borda).

O escudo funerário recentemente recuperado através da Hermann Histórica de Munique, tem 57,5 cm de diâmetro, 2.725 gramas de peso e uma espessura média de 1 mm (medido antes da borda).

Ambos mantiveram os seus forros de origem, o que é extremamente raro. O funerário, porém, também mantém a quase totalidade das suas franjas, que faltam no outro.

Assim, podemos falar de uma diferença de cerca de dois quilos de peso entre ambos os escudos. Sendo o funerário, embora ligeiramente maior, o mais leve. Isto é natural, porque se tratou de um escudo de combate normal, transformado em escudo funerário, pela gravação a ácido dos elementos decorativos, que obedecem à chave de identificação dos elementos da armadura milanesa, fabricadas exclusivamente para o Duque de Sabóia Emanuel Filiberto.

Mas existe uma outra diferença importante: o escudo funerário é em ferro e o outro é em aço, uma das características da oficina dos Negroli, de Milão.

Se ao menos nos pudessem falar!

Junto à lista dos acontecimentos peculiares dos últimos dois anos, relacionados com revelações inesperadas ligadas à história de Portugal, o facto do aparecimento do escudo funerário sebastianista ter acontecido agora.

Por que razão alguém o tirou da parede de um castelo em França? Provavelmente foi retirado por herdeiros, que apenas desejaram dividir o seu valor comercial.

Seja como for, voltou a Portugal e está na minha frente, por alguma razão. Não me cabe investigar o porquê, apenas cumprir as tarefas que me competem!

Assim rodo um, rodo o outro… “rodelas metálicas” que nós chamamos de escudos.

Um pensamento leva a outro e dou-me conta de que foi em 1996 que um grande grupo de peças, da armadura de D. Sebastião, veio dos Estados Unidos (ex-colecção William Randolph Hearst) para a Christie’s de Londres. As primeiras que conseguimos trazer de volta a Portugal. Este foi também o ano em que se falou, pela 1ª vez, do desaparecimento da moeda-escudo e da sua substituição pelo que então se pensou designar por “ECU”. 1996 foi igualmente o ano em que foram cunhadas as primeiras moedas com a designação de “EURO”, estranhamente em Telavive, como sugestão da proposta da entrada de Israel na Comunidade Europeia.

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A primeira moeda/medalha com a indicação "EURO".
Em 1996, quando na Europa apenas se discutia a hipótese de uma moeda europeia comum, à qual então se pretendia dar o nome de "ECU", surge, na Ásia-Menor, cunhada em Telavive, um grupo de três moedas/medalhas comemorativas dedicadas a Golda Meir, de valores diferentes, mas com a primeira indicação da designação "EURO". Foram retiradas, mas o nome transitou para a Europa.

Agora, o escudo funerário sebastianista volta precisamente na altura em que está em discussão o derreter ou não das moedas-escudos retiradas de circulação em 2002, mas levantando-se a hipótese de eventual re-introdução.

O escudo roda nas minhas mãos. O que está em cima vai para baixo. Lembrei-me que guardei uma quantidade de moedas-escudos, com as quais fiz uns “pins”, em memória da moeda que nos protegeu durante meio milénio. A moeda que demos como cartão de visita, válida em qualquer parte do globo, estando coberta por 866 toneladas de ouro, aquela que foi a 6ª moeda mais forte do mundo.

As últimas moedas de escudo já eram apenas uns “escudinhos”… mas eram nossos!

A meu ver, e apenas concorda comigo quem quiser, mais vale comer pães mais pequenos, mas nossos, do que sopa dos pobres, oferecida por alguma organização internacional, em troca de lhes limparem as botas com as quais apenas nos sabem pisar!

Na minha opinião, tanto devemos respeito aos escudos sebastianistas, como aos escudos nacionais!

Rodando os escudos à lareira e lembrando-me do terceiro significado da palavra “escudo”, a do escudo-heráldico, recordo a alegria que senti, quando um artista nosso conseguiu contornar a proibição da representação do escudo nacional no verso das moedas do euro, a serem cunhadas na terra de Camões. Com um “desenrascanço” colossal, resolveu desmontar o escudo nacional nas suas componentes simbólicas (7 castelos, cinco quinas com cinco chagas em cada uma), que agrupou como se de peças de xadrez se tratassem, pregando exorcismo ao euro.

É natural que quem apenas se sabe servir do lado esquerdo do seu cérebro não consiga dar o salto da palavra “escudo”, com o significado de arma de defesa, para a palavra idêntica, com o significado de moeda nacional ou com o significado heráldico, demonstrador dos mais sagrados símbolos nacionais.

Quem se souber servir dos dois lados do cérebro, até descobre as pontes das interligações dos sentidos diversos desta mesma palavra e sente-se bem a atravessá-las.

Por alguma razão a língua lusa as uniu e bem!

Como também, por alguma razão, me sentei à lareira a rodar escudos.

Permito-me concluir que D. Sebastião “nos enviou” os seus escudos protectores.

Peço então às almas de todos os antepassados, que souberam honrar tanto a nossa moeda como os símbolos heráldicos, que desde da dinastia de Borgonha nos acompanharam: “Mantenham viva em nós a chama da defesa da nossa identidade!”.


Artigos sobre o EURO:

Segredos do Euro 1:

http://www.grifo.com.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=225&Itemid=70

Nascido de um plágio? Segredos do Euro 2:

http://www.grifo.com.pt/index,php?option=com_content&task=view&id=229&Itemid=70

Forças invisíveis combatem na Europa! Segredos do Euro 3:

http://www.grifo.com.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=231&Itemid=70

VADE RETRO PECUNIA SATANARUM. Segredos do Euro 4:

http://www.grifo.com.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=234&Itemid=70

A Europa está sem futuro com o Euro. Segredos do Euro 5:

http://www.grifo.com.pt/índex.php?option=com_content&task=view&id=246&Itemid=70

Notas de Euro utilizadas para a Escravização. Segredos do Euro 6:

http://www.grifo.com.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=248&Itemid=70

O Renascimento de Moedas Regionais. Segredos do Euro 7:

http://www.grifo.com.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=264&Itemid=70


Lido: 4157

  Comentários (4)
1. A Europa dos europeus
Escrito por Alfrerdo Braga website, em 26-11-2011 12:19
Parabéns, Sr. Rainer Daehnhardt, por sua coragem e lucidez na denúncia de tantas traições e sabotagens de agentes estrangeiros infiltrados nas nações da Europa.
2. PORTUGUÊS COM ORGULHO
Escrito por Luis Pinheiro, em 12-01-2012 13:09
Sr. Rainer Daehnhardt, há muito que o "sigo", através das suas obras literárias que me tocaram profundamente na minha alma lusitana. Dou lhe os meus sinceros parabéns e gostaria que Portugal tivesse mais 1000 pessoas iguais a si e seriamos outra vez uma Nação orgulhosa. Gostaria um dia de visitar a sua colecção particular de armas pois sou um apaixonado pelos artefactos militares Portugueses dos séculos passados. Muito obrigado.
3. HxsjUFErDiJhblhTZip
Escrito por Kaedn website, em 23-01-2012 12:36
Your answer shows real inetlligecne.
4. Bem Haja
Escrito por Rogério Maciel website, em 24-01-2012 12:03
Caro I-E-I Rainer Daehnhardt , Bem Haja !Sinto isso mêsmo com muita Profundidade ! 
A Verdade e a Luz Vencerão !Não tenho dúvidas ! 
Fôrça e Honra ! 
Abraço em Cristo !

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