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"Toda a Verdade passa por três fases.
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Schopenhauer

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Boas acções isabelinas
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Por Rainer DaehnhardtImage

As  verdadeiras boas acções não são badaladas, não vêm nos media, não carecem de organizações autopromotoras intermediárias. Nascem em alguém, tocado pelo espírito isabelino, crescem, florescem e ajudam, sem nada pedir ou esperar em troca.

Isto vem a propósito da actuação de uma senhora alemã, de ascendência portuguesa, que através do seu carinho pela tão lusa renda de bilros, conseguiu colocar sorrisos nos rostos e esperança nos corações de muita gente, espalhada pelo mundo.

Ao visitar as artesãs portuguesas, ainda praticantes desta arte ancestral, encantou-se com o seu trabalho, acabando ela mesma por aprender e produzir.

Vivendo numa pequena aldeia na Alemanha, acabou por reunir à sua volta mais senhoras que, com grande agrado, a acompanharam nesta aventura. Descobriram então que existem associações em diversos países, onde outras pessoas se dedicam a esta arte e organizam encontros e eventos culturais.

Mantendo os seus contactos com Portugal, foi também coleccionando os diferentes bilros, destacando-se os mais antigos da Índia Portuguesa, em pau-santo ou marfim e os do Ceilão, ricamente esculpidos.

 

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Variantes de bilros indo-portugueses em marfim

Lembrou-se então de tecer contactos com a Índia e encontrou uma aldeia, que ansiosamente, procurava quem lhes desse trabalho.

Não havendo capacidade de produção em Portugal para as quantias desejadas, enviou lenços de renda para a aldeia indiana, para os copiarem. Aprenderam num instante e forneceram as necessárias! Nos encontros das amantes de rendas espalhadas pelo norte da Europa, passaram então a vender estes lenços. Os preços variam entre os 4 e os 6 euros, conforme a largura e qualidade. De cada venda, guardam um euro. Em poucos meses, juntaram dinheiro suficiente para se construir na aldeia indiana uma sala comunitária, onde as senhoras e raparigas se sentam para trabalhar em conjunto. Esta sala deu já grande alegria!

Já houve pedidos destas rendas da Holanda, da Escandinávia, da Polónia e da Áustria. Desta última, houve tantas encomendas, que se construiu entretanto uma Casa da Áustria na aldeia indiana, para senhoras que necessitam de trabalho. Entretanto, já outras duas, da Alemanha, se haviam erguido!

Todas as senhoras envolvidas neste projecto, e muitas centenas são, oferecem o seu trabalho gratuitamente, sem esperar agradecimentos. Tudo no verdadeiro espírito isabelino, não menos enraizado nestes países nórdicos, do que em Portugal ou nos Açores.

Nos lenços fornecidos, surgiram alguns exemplares com defeitos, tendo, por isso, de ser vendidos mais baratos. Depressa constataram que nem assim os clientes os queriam. Então, a senhora alemã, de ascendência lusa e carregada do espírito do "desenrascanço", resolveu transformá-los em pequenos saquinhos com ervas bem cheirosas, que se podem colocar no meio das roupas. Passaram a ser os primeiros artigos a ser vendidos!

Do amor de uma pessoa para com uma arte ancestral lusa, nasceu uma floresta de acções individuais, que tanta satisfação deu às senhoras envolvidas, como alegria e ganha-pão à gente carecida em terras muito distantes.

Disto não falam os media porque não envolve organizações que se autosustentam dos peditórios que fazem em favor de terceiros, gastando a maior parcela em seu próprio proveito.

Disto falam os sorrisos nas fotos das trabalhadoras indianas e os corações das senhoras europeias que se alegram com os lenços artesanais.

O Espírito Isabelino está por toda parte. Necessita apenas de ser acordado e aplicado!


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  Comentários (1)
1. Escrito por André, em 22-10-2011 23:54
Excelente artigo. Que todo o mundo fosse alimentado por este espirito, o espirito do construir do fazer da partilha e da criação. sem monopólios, sem interesses secundários, sem por o capital á frente das pessoas. Parafraseando Mia Couto " A maior desgraça de uma Nação pobre, é que em vez de produzir riqueza..produz ricos.."

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