Portanto, ao encostar-me, estava a sentir uma árvore, que em tempo da presença terrestre do Desejado, compartilhou o mesmo ar que D. Sebastião, o Sol, os cheiros, a Pátria e sua gente.
Mesmo caído, o enorme carvalho, com a sua casca rugosa, pareceu-me mais em hibernação do que morto.
Mais uma vez, cheguei à conclusão que a morte é apenas um estado de passagem, nada de definitivo.
Há gente viva que considero estarem mortos, não dão nada a ninguém, nada aprendem nem aprenderão. Estão a gastar oxigénio, como um motor a trabalhar em "ponto morto".
Estão a tornar uma hipótese de aprendizagem, que lhes foi dada em vida, em algo totalmente inútil. Vivem vidas vazias, ocas, cheias de nada. São mortos com partida adiada. Perderam o comboio da vida e nem se deram conta.
Outros há, que já deixaram o seu corpo do mundo tridimensional e estão noutra dimensão, mas continuam presentes. Estão nos nossos corações, nas nossas mentes e guiam as nossas acções.
Um destes mortos/vivos é D. Sebastião!
Sentindo o tronco do carvalho, seu companheiro de vida, nas minhas costas e com os pés bem assentes na terra, que D. Sebastião pisou, perguntei-me o que sua existência significa para mim.
Olhando para as feridas no seu elmo, cristalizou-se o seguinte:
NADA, NEM NINGUÉM, O FEZ PARAR!
PELO MENOS TENTOU!
Incorporou, de forma digna, o lugar que a história lhe deu: SÍMBOLO DA CORAGEM LUSA!
Assumiu um duelo contra tudo e todos, levando inimigos e sombras nefastas, para os enfrentar a todos.
Terá procurado a morte?
Creio que não. O elmo é para ser usado por quem assume o confronto máximo, mas deseja saída vitoriosa.
O REI MENINO era órfão de pai e de mãe, retirada num convento.
Era órfão de oito tios e tias, todos falecidos jovens e em circunstâncias suspeitas.
Este REI DESEJADO, foi a última esperança de um povo, que se fez grande numa missão planetária e que se viu sem liderança, por "castração" das suas Ordens Religiosas Militares, tornadas monásticas.
O FUTURO É ESCRITO PELOS AUDAZES!
Olhando através da viseira do seu elmo, vejo as pequenas folhas de nova vida a brotar, nos antiquíssimos ramos dos carvalhos.
É O COMEÇO DA PRIMAVERA SEBASTIANISTA!
Por alguma razão nos enviou o seu elmo!