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"Toda a Verdade passa por três fases.
Primeiro, é ridicularizada.
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Schopenhauer

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Desgraça Americana?
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Um grito de alerta

Por Rainer Daehnhardt*

Ao observador atento não passa despercebido que os Estados Unidos se preparam para a possibilidade de novas guerras a nível externo e interno.

Caso tal aconteça, e tudo assim o indica, não vai ser uma nova Guerra Civil entre uma União de Estados do Norte e uma Confederação de Estados do Sul. Vai ser algo muito diferente.

Os Governos distanciaram-se de tal modo das populações, cujos interesses deviam defender, que o divórcio parece inevitável e violento!

Antigamente, escolhiam-se os melhores e mais aptos para governar e confiava-se na democracia. Hoje, perdeu-se a confiança tanto nos indivíduos e nos partidos, como no sistema em si. Mas nada se faz para mudar esta situação.

Os norte-americanos não se dedicam a revoluções! Até na altura da sua Declaração de Independência, pouco apoio interno tiveram. Sendo, em grande parte, descendentes de “desenraizados”, que deixaram as suas terras de origem em busca de algo melhor, são uma espécie de “fugitivos de guerras não assumidas”. Não podendo melhorar as suas pátrias ancestrais, desistiram da defesa dos seus habitantes naturais, transformando-se em eternos peregrinos, em busca de mais e de melhor. Muitos perderam a sua ligação cultural; outros, porém, tentam cultivá-la e retransmiti-la aos seus filhos.

Quem os governa soube aproveitar o “caldeirão” de diferentes origens, injectando um patriotismo artificial, balofo, criado de cima para baixo, que não passa de uma frágil casca de ovo, que liberta monstros egocêntricos quando se quebra.

Colocar milhões de bandeiras idênticas numa aglomeração de estados, sem lhes ensinar o respeito, não passa de um acto publicitário de baixo nível. Quando se permite que um grande nadador olímpico, merecedor de todas as medalhas de ouro que recebeu, se apresente no pódio, usando a bandeira nacional como calção de banho, fica demonstrado que há algo de muito errado!

Sem respeito, não há identidade e sem identidade não há pátria!

Então para que serve toda esta “palhaçada” em que transformaram o saudável patriotismo americano?

Vive-se uma espécie de Carnaval permanente, onde já não se sabe o que é realidade ou apenas ficção!

Não sabendo mudar o que acha inaceitável, distanciou-se grande parte da população americana do sistema de governação, ao ponto de se desligar, não apenas emocionalmente, mas também na prática diária, da classe política, que, abertamente, considera sua inimiga.

Cerca de metade de todos os eleitores americanos inscritos nunca votaram para actos eleitorais.

Mais de metade dos congressistas americanos não possuem passaporte, nem nunca viajaram para o estrangeiro. Também não conseguem identificar os nomes dos 50 estados que representam, mas consideram-se aptos a definir políticas planetárias.

O americano, genericamente falando, é bem intencionado e vive, como uma criança ingénua, na sua bola de sabão azul, branco e vermelha, cheio de boas intenções.

Não sabe dos males mundialmente praticados em seu nome, por sistemática omissão no ensino.

Descendente, também em boa parte, de grupos auto-exilados por perseguições religiosas, considera-se um protector da fé, não se apercebendo que os lugares de chefia de muitas das suas igrejas já foram usurpados por gente sem escrúpulos, que os exploram e manipulam.

Na prática, a religião tornou-se, para muitos, num fanatismo baseado em superstições.

O materialismo venceu o espiritualismo!

Deus foi substituído pelo dollar!

Não é pois de admirar que muitas igrejas norte-americanas sejam vistas, pelas Agências de Defesa do estado, como “potenciais ninhos de terrorismo”.

O caso WACO (Texas), da Igreja Davidiana, foi um forte aviso em relação ao que em breve nos espera. Em 1993 desentenderam-se as autoridades com os seguidores de uma das muitas auto-proclamadas igrejas americanas. Uma tentativa de busca domiciliária foi recebida com armas de fogo. Houve mortes a lamentar, de ambas as partes duma contenda totalmente desnecessária. Os funcionários públicos julgaram-se no direito de intervir, a qualquer custo, e os seguidores de um culto julgaram-se com o direito de autodefesa contra tal intromissão. Infelizmente, não surgiu quem conseguisse pacificar ambas as partes. Pior do que isso: a prepotência juntou-se à raiva e seguiu-se um cerco de 51 dias, que acabou da pior maneira possível. Por ordem superior, Forças da Ordem utilizaram tanques equipados com lança-chamas e os edifícios arderam, com todos no seu interior. Morreram perto de 80 pessoas, muitas delas crianças e algumas mulheres grávidas.

Hollywood, sempre pronta a distorcer a verdade, tentou dar a interpretação de que estes fanáticos religiosos se teriam suicidado e provocado o incêndio ao qual as Forças da Ordem apenas assistiram, sem contudo intervir.

Os factos reais, porém, foram outros, e para grande parte da população americana os seguidores da Igreja Davidiana (de cuja existência poucos sabiam), tornaram-se mártires dos direitos individuais.

“Remember WACO!” é uma frase de aviso tão enraizada na geração americana actual, que os defensores do direito à autodefesa se levantam para prestar homenagem aos que caíram nesta “guerra entre o individualismo e a prepotência do Estado”. As Forças da Ordem utilizam a mesma frase, mas no sentido inverso, para fazer medo aos individualistas e avisá-los do que lhes pode acontecer.

Muitos americanos, opositores individuais do regime instalado, até mencionam como sequência simbólica da prepotência e mentira estatal: “WACO / OKLAHOMA BOMBING / 9-11 “.

Estes três termos, encontram-se gravados em muitas almas e nem as tentativas da indústria cinematográfica em dar outra versão dos acontecimentos lhes tira a convicção de que terão de se preparar para enfrentar o “Gigante Demolidor da Liberdade“, como eles o entendem.

Para muitos americanos, a Constituição é a sua Bíblia Política. Nunca a leram, mas sabem que “My home is my castle (a minha casa é o meu castelo)” e que possuem “The Right to bear Arms (o direito de estar armado)”.

Tirar-lhes o direito à autodefesa é carregar num botão muito sensível, de consequências inimagináveis.

Para o comum dos europeus, arrepia a ideia do linchamento público de um ladrão de cavalos. Aos americanos não! Muitos até o aplaudem. O cavalo foi o seu principal meio de transporte durante séculos. O “cowboy”, que para um europeu não passa dum vaqueiro montado, personifica, nos Estados Unidos, uma figura glorificada, comparável ao cavaleiro medieval, com armadura e lança em riste.

Apenas nos Estados Unidos se coleccionam os diferentes modelos de arame farpado, símbolo do avanço da “civilização organizada” sobre um “Wild West“, por muitos visto como um caos de liberdade sem leis!

Na Europa também houve tempos em que se previa a autodefesa. No reinado de D. Sebastião, obrigava-se cada cidadão livre a possuir mosquete de mecha, devidamente apetrechado, e a mostrar, uma vez por ano, ser destro no seu manejo. Porém apenas podia ser utilizado “em Defesa da Pátria e da Fé”. Hoje, delegou-se na Europa a defesa do estado às Forças Armadas e a defesa pública a forças da ordem para este fim criadas.

Nos Estados Unidos também existem estas forças, mas grande parte da população não confia nelas, preferindo assim manter-se quieta, mas equipada para uma eventual necessidade de autodefesa.

O Estado mostra cada vez mais sinais de medo da sua própria população e prepara-se para um eventual confronto. As escutas telefónicas, as investigações bancárias e outras demonstram, desde longa data, que não é apenas o ladrão que as Forças da Ordem perseguem, mas qualquer indivíduo rotulado de “potencialmente ‘criminoso’ contra a vontade do Estado”.

Neste contexto, classificam-se todos os defensores dos direitos individuais, da constituição, do direito de autodefesa ou de sinais de patriotismo, como “inimigo potencial”.

Obviamente, também a origem étnica é tida em conta. Na 2ª Guerra Mundial, os americanos levantaram, nos Estados Unidos, muitos Campos de Concentração (na altura chamados Campos de Internamento), para japoneses, alemães, austríacos e seus familiares. Muitos internados morreram aí.

Prepararam-se, agora, estas antigas instalações, há muito abandonadas, para receberem, de novo, grandes quantidades de internados. Desta vez, parece que serão os potenciais opositores ao regime que serão presos.

Isto está em contradição total com a ideia da democracia e das liberdades individuais, tão caras à forma de ser americana. Mas, ao que parece, estes idealismos irão ruir no dia em que a constituição for posta na gaveta. Para isto, basta um novo ataque provocado debaixo de falsa bandeira, apenas para legitimar a anulação da constituição.

Não são apenas os antigos Campos de Internamento, nos desertos americanos, que estão a ser reaproveitados. Também, muitas instalações militares, fora de uso, estão a ser adaptadas para prender grande quantidade de pessoas. Construíram-se até vagões de comboio especiais para transportar presos acorrentados, sentados em longos bancos de alumínio, em dois pisos, todos presos a tubagens. O nome que deram aos novos Campos de Concentração é MDC (Military Detention Center), encontrando-se todos debaixo de alçada e jurisdição militar.

Ao que parece, a governação será feita pela FEMA (Federal Emergency Management Agency), que não deixou boa memória pela sua actuação na catástrofe de New Orleans.

Não se sabe hoje por quem, ou quando, será despoletada esta situação de emergência, que pode levar a máquina do estado a prender grande parte da sua população. Que tanto o Governo como as suas agências se preparam para isto parece ser, cada vez mais, verdade, assim como o armar-se de parte da população, que, em total desespero de causa, se vê empurrada para esta situação.

Parece pois que WACO se pode repetir, mas numa dimensão apocalíptica!

Durante a governação Clinton, pretenderam os democratas diminuir as facilidades de acesso a armas, pensando assim diminuir os crimes. Resolveram então que a venda de armas a civis seria sujeita a regras; impôs-se um prazo entre a aquisição e a entrega da arma e o registo de posse foi sujeito a aprovação policial. Visto que cada lei tem alguns meses até entrar em vigor, aconteceu uma corrida à aquisição de armas sem registo, como nunca houve até então. Os armeiros americanos esvaziaram os seus stocks em poucos dias. Do Canadá e do México, enviou-se tudo o que disparava. Vendeu-se tudo. Da Grã-Bretanha, da Bélgica, da República Checa, da Eslovénia e do Brasil, enviaram-se aviões fretados para levar armas para os Estados Unidos e venderam-se todas.

O Governo Clinton (então com 280 milhões de habitantes nos Estados Unidos) estimou que o número de armas modernas em mãos de civis era de cerca de 350 milhões! Nestas contagens não se incluíram as de pequeno calibre nem as de cano liso.

Agora, após o 9-11, estimou-se de novo, o número de armas em mãos de civis norte-americanos. É importante frisar que não se incluem as armas das Forças Armadas ou Policiais, nem as das Agências ou forças para-militares e muito menos ainda as armas em mãos de mafiosos ou criminosos de delitos comuns. Desta vez, porém, incluíram as armas de pequeno calibre e as de canos lisos. O número a que chegaram é verdadeiramente assustador. Hoje existem cerca de 300 milhões de habitantes nos Estados Unidos com uma posse particular de cerca de 600 milhões de armas, ou seja, duas por habitante!

Há centenas de feiras de armas nos Estados Unidos, que se realizam com grande frequência. Estas estão sujeitas às legislações dos respectivos estados, que variam muito. Basta, por exemplo, andar mais alguns quilómetros e parar num parque de estacionamento de um estado vizinho, para se transaccionar, legalmente, directamente do porta-bagagem, os mais sofisticados modelos, com a quantidade de munição que se quiser.

É voz corrente entre os membros da maior associação desportiva de armas nos Estados Unidos (que tem quatro milhões de membros inscritos), que cada pessoa deve ter, pelo menos, dez mil balas, de cada calibre das suas armas.

Nas feiras de armas americanas vêem-se grandes camiões, em fileiras, para descarregar quantidades enormes de munições, porque o “livre mercado” assim o exige.

Durante as últimas duas décadas, as fábricas americanas de munições transferiram as suas instalações para a Ásia, em busca de mão-de-obra mais barata. É o lucro que os rege, não o patriotismo! Entretanto o “livre mercado” teve como consequência a abertura das portas aduaneiras americanas à importação de munição chinesa. Assim, estamos perante a situação, de as fábricas americanas falirem, sendo substituídas por chinesas. Tanto as forças policiais como os civis americanos utilizam hoje, maioritariamente, munições vindas da China. Mas isto parece não preocupar ninguém.

Uma das grandes molas reais da economia americana é o medo!

Causa-se medo e apresenta-se o produto para se proteger do eventual perigo!

Isto tanto se verifica com a introdução de medicamentos, supostamente seguros e eficazes, como na encomenda de armas sofisticadas. Um bom exemplo: os submarinos nucleares, hoje obsoletos, por serem facilmente detectáveis do espaço, por causa da linha de água quente que os motores de arrefecimento do reactor expulsam.

Nos anos 50 e 60 viveu-se o medo da Guerra Nuclear, surgindo indústrias americanas para construir abrigos particulares, comidas enlatadas e uma grande variedade de produtos eventualmente necessários para uma luta pela sobrevivência. Estes bunkers particulares ainda existem. Servem hoje de esconderijos para as grandes quantidades de munições que se guardam, para qualquer eventualidade.

Anda muito na moda fazer cursos de treino de sobrevivência em caso de “General Civil Uprising” (levantamentos populares), muito divulgados em jogos de vídeo.

Para se distanciar o mais possível da sistemática perseguição estatal, surgiu uma atitude, que, nesta dimensão, apenas se conhece nos Estados Unidos: “To become a non-citizen” (passar a ser um “não-cidadão”). Quando apenas dezenas de milhares sabiam disto, resolveu uma cadeia de televisão fazer um programa sobre esta temática, que, à primeira vista, parecia absurda. Deixaram legisladores e representantes das Forças da Ordem falar acerca do que estava a acontecer, mas também mostraram simples cidadãos, que, com alegria, rasgavam o seu cartão de segurança social (equivale nos EUA ao bilhete de identidade) e que iam viver para as montanhas. O programa teve consequências gravíssimas, porque um crescente número de espectadores se identificou a tal ponto com estes “desertores da civilização”, que acabaram por fazer o mesmo.

Agora são milhões, que vivem nos Estados Unidos afastados de tudo e de todos, sem cartões de identidade, sem impostos e com nomes inventados. Educam particularmente as suas crianças, para não as vacinar nem inscrever em escola alguma. Voltaram o relógio do tempo séculos atrás e sentem-se bem assim. Mas, sempre armados até aos dentes, para que ninguém ouse tirar-lhes a liberdade pela qual estão dispostos a morrer.

Nos Estados Unidos criticam-se como incompreensíveis os terroristas bombistas, que enfrentam no Médio Oriente (e com razão).

Não se dão conta, porém, que existe um grande paralelismo entre o fanatismo com que um muçulmano abraça a morte, para a qual pretende levar consigo o maior numero possível de inimigos, com a prontidão que muitos americanos têm em morrer algures, agarrados às suas armas, levando consigo o maior número possível de inimigos.

Será que realmente ninguém apreendeu com WACO?

Terão morrido tantos em vão?

O homem é, supostamente, o único “animal”, que tropeça duas vezes na mesma pedra! Mesmo que seja verdade, tal não nos obriga a repetir erros tão graves.

Peço ao leitor que veja nestes meros apontamentos um grito de alerta para uma situação preocupante para toda humanidade.

A esperança mantém a hipótese de que surja quem ainda possa pacificar a situação.

Nenhuma guerra é inevitável!

Se ela acontece é porque houve quem a quisesse e não houve quem ousasse evitá-la!

O destino não está escrito, nem nos é ditado, mas é por nós formado!

O divórcio entre a governação e grande parte da população, pode facilmente levar à DESGRAÇA AMERICANA, com consequências para todo mundo.

Mas nada tem de ser!


INDICAÇÕES DE MUITOS LINKS ligados aos CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO ACTUAIS NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA: http://targetfreedom.typepad.com/targetfreedom/2009/08/fed-now-hiring-concentration-camp-guards.html


*O autor visitou o Continente Norte-Americano durante décadas. Leccionou e deu palestras como “visiting professor” no Smithonian Institut de Washington; na Arizona Historical Society de Phoenix; no Harvard Club de New York e em instituições culturais e de ensino de um grande número de Estados Americanos.

Em 1977 foi eleito “Honorary Member” (o 3º não americano) pela associação de mais prestígio entre os americanos coleccionadores de armaria antiga.

Em 1986 recebeu o “Certificat of Commendation” da NASE (National Academy For School Executives) for the Enrichment of the Expertise and Skills of School Executives through Professional Development Programs”.

Em 2001, foi a sua intervenção nas Nações Unidas na “First International Conference on Small Arms”, que ajudou a estabelecer a diferença no tratamento de armas antigas das modernas.

Em 2005 foi declarado “One of the Top 100 Scientists of Scientific and Historical Research”, pela Cambridge.

Desde 1972 representa Portugal nos congressos internacionais de coleccionismo de armaria.


Lido: 5506

  Comentários (1)
1. Escrito por Jopsé Direita, em 06-08-2009 23:20
Parabéns pelo artigo. Subscrevo inteiramente os seus pontos de vista.

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