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"Toda a Verdade passa por três fases.
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Schopenhauer

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O Renascimento de Moedas Regionais
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Segredos  do Euro 7
ImagePor Rainer Daehnhardt

A grande maioria dos media europeus mantém-se calada em relação ao aparecimento de formas de pagamento regionais, dentro da zona do Euro. O jornal suíço “ZEIT-FRAGEN” (edição de 15 de Dezembro 2008, 16º ano, nº 51), porém, dedicou as suas primeiras duas páginas exclusivamente a este assunto.

Informa que já existem em circulação 16 (dezasseis) moedas regionais, e com crescente aceitação por parte das populações!

Os benefícios regionais são de tal ordem, que, facilmente, podem substituir o Euro, quando tal for considerado conveniente!

Por exemplo, as cédulas, também consideradas vales, denominadas “CHIEM-GAUER “, que de momento já existem em 640 estabelecimentos comerciais nesta zona da Alta Bavária, que aderiram aos pagamentos em notas de

Chiemgauer.

Os “Chiemgauer“ são vales regionais, emitidos com a classificação: “Vereins-interner Régio-Gutschein”, ou seja, vales internos de uma associação regional. São emitidos nos valores de 1, 2, 5, 10, 20 e 50 Chiemgauer, atribuindo-se a cada Chiemgauer o valor de um euro.

O Governo Alemão Federal não sabe o que deve fazer! Se proíbe a circulação, tem parte da população bávara contra si, o que é politicamente inconveniente. Se permite a sua circulação, age contra ordens secretas de Bruxelas, que, preferivelmente não são mencionadas em público. Como a circulação dos Chiemgauer, é “apenas” de três milhões de euros por ano, consideram que o assunto não requer especiais cuidados.

Onde está a diferença entre o Chiemgauer e o Euro? A associação que emite o Chiemgauer assume o dever de reaceitar estes vales e de os pagar em euros.

Nos euros, porém, ninguém assume responsabilidade de nada!

A troca de Chiemgauer por euros tem, porém, um grande senão! Sofre uma desvalorização de 5%. Assim, quem tiver 100 Chiemgauer, que só têm validade na região do Chiemgau, vai ter de os gastar nesta região, para não perder os tais 5%. Não faz sentido levá-los para fora, pois não possuem valor e para os cambiar em euros perdem-se 5%.

Com este sistema, levantou-se a Alemanha nos anos trinta, causando náuseas aos banqueiros globalistas, que não têm assim qualquer lucro.

Com a circulação do Chiemgauer, fica o dinheiro na região, circulando do padeiro para o sapateiro e deste para outro trabalhador, que, de novo, o gasta no talho ou qualquer outro comércio da vila.

Para evitar que alguém acumule esta riqueza criada pela força do trabalho real, limitou-se a sua circulação pelo espaço de três meses, datando todos os vales. Assim, os mesmos têm de ser gastos ou trocados, neste último caso com uma perda de 5%.

Esta ideia da punição indirecta para quem acumulasse riquezas em dinheiro, já fora inventada no século XIII pelo Imperador Frederico Barba Roxa, com resultados altamente benéficos para o bem-estar do seu povo. Podemos assim olhar de forma positiva para a cada vez mais real probabilidade do desaparecimento do Euro. Vai significar um descalabro do sistema financeiro e bancário ainda vigente, mas uma transformação positiva para a Humanidade.

Quem pensa que nós não temos capacidades para criar moeda separada de Bruxelas, engana-se. Já nos anos vinte e trinta do século XX, houve muitas câmaras municipais portuguesas que fizeram frente à falta dos pequenos trocos, emitindo vales camarários, de circulação geral, que corriam como moeda legal.

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Ainda na década dos anos setenta, houve casas comerciais em Ponta Delgada que, perante a grave crise da falta de pequenos trocos, carimbavam fragmentos do seu papel de embrulho, no qual escreviam um valor para vale, devidamente assinado e carimbado pela funcionária da caixa. Outros estabelecimentos houve, que imprimiram vales de pequenos valores, para trocos, com tal qualidade, que o Governo Regional pediu para os mesmos não serem postos em circulação, porque revelavam a grande facilidade com que se poderia criar moeda regional própria, o que era, então, considerado politicamente inconveniente (o resultado foi o arredondamento dos preços, algo altamente prejudicial para a população).

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Mais informações:

www.zeit-fragen.ch

http://www.chiemgauer.info/

http://www.regiogeld.de/

Bibliografia sugerida:

- Kennedy, Margrit, Lietaer, Bernard (2004): “Regionalwährungen- Auf dem Weg zu nachhaltigem Wohlstand, München.

- Gelleri, Christian (2005): “Assoziative Wirtschaftsräume in Fragen der Freiheit”,Bad Boll.

- Gesell,Silvio (1986): “Die natürliche Wirtschaftsordnung – Durch Freiland und Freigeld, Lauf.

- Lietaer, Bernard A. (1999): “Das Geld der Zukunft – über die destructive Wirkung des existierenden Geldsystems und die Entwicklung von Komplementärwährungen, Pössnek.


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  Comentários (4)
1. Crise artificial
Escrito por Flávio Gonçalves website, em 31-01-2009 13:24
Em conferência que dei no estrangeiro referi que a actual crise foi criada artificialmente e tem mais a ver com a impossibilidade dos Estados europeus (ou regiões europeias, já que actualmente não temos nem Estados nem nações mas meras regiões do super-Estado europeu) em controlarem a sua própria moeda - que já não existe - e regularem a sua economia, estas decisões já não competem aos governos. 
 
Dando um exemplo tosco dum conhecido meu: "Se amanhã o governo emitisse um decreto lei em como cada folha de papel higiénico passa a valer 5 euros, passava a valer 5 euros porque era uma lei." 
 
Mas agora nem notas com valor real podem mandar emitir, não podem regular as taxas de juro dos bancos, não podem fazer nada porque abdicaram disso tudo com a entrada no Euro. 
 
Permitam-me divulgar outro portal acerca destas "moedas complementares": http://www.olccjp.net/ 
 
E uma animação em brasileiro, deste mesmo portal: 
 
http://www.slideshare.net/mig76/moeda-complementar?src=embed
2. Nota às Moedas Regionais!
Escrito por Escarapão website, em 26-02-2009 23:43
Sr Daehnhardt é um óptimo artigo e fala de um fenómeno que desconhecia do ressurgimento das Moedas Regionais. Obrigado pelo que aprendi. 
Como tudo existem vantagens e desvantagens tanto da Moeda Regional como do Euro.  
Pessoalmente acho que entrámos cedo demais no Euro.O dinheiro barato aliado a uma falta de cultura financeira e uma regulação capturada pelos regulados fizeram com que nós em Portugal chegássemos a este ponto.  
As moedas regionais são reflexo de um retorno ao proteccionismo. Periféricos como somos vamos sofrer, pois desmantelá-mos a nossa capacidade produtiva terciarizando-nos. 
A implosão do Euro é uma forte possibilidade, dependendo da Alemanha para bem e para o mal.
3. Escrito por Paula website, em 24-03-2009 02:20
Gostei e linkei!
4. O regresso do «Escudo» no prenúncio da v
Escrito por Antonio Anchas website, em 10-01-2017 17:25
Viva 
 
Caro Rainer Daehnhardt, cheguei até esta página na sequência das pesquisas que tenho feito sobre o tema "moedas complementares". E, qual a razão do meu interesse por este assunto?... 
Tudo começou quando vi uma reportagem sobre o Banco Palmas (Fortaleza / Ceará - Brasil)... 
[Sobre Banco Palmas vide: http://cirandas.net/nesol-usp/noticias/versao-digital-do-livro-banco-palmas-15-anos-resistindo-e-inovando] 
 
E a procurar saber mais sobre o sucesso do lançamento daquela moeda paralela ao "real" que passei, logo coloquei a seguinte pergunta: - Será possível a reintrodução do "escudo" (ou outra moeda nacional) sem sairmos do Euro?  
 
É certo que a introdução das "moedas complementares" não apresentaram como vantagem imediata a "desvalorização cambial" face a outras divisas concorrentes no mercado monetário global - porém, tal como tem exposto Bernard Lietaer, entre outros, este tipo de moedas tem-se relevado de grande relevância na redinamização das economias locais e regionais... 
E daqui outra questão se coloca: será possível replicar os êxitos na implementação de moedas complementares, desenvolvidas num contexto de economia comunitária, local e/ou regional, alargada ao contexto de um estado ou país - neste caso à dimensão Portugal ou Grécia, estados -membros da Zona Euro? 
A Suiça diz-nos que sim... quando nos anos 30, após a Grande Depressão, viu nascer e crescer o sistema WIR - um círculo monetário dirigido sobretudo a PMEs e que funciona com grande vitalidade, sobretudo numa dinâmica inversa à crise, em coabitação com o franco suíço... Já dentro da Zona Euro o Chiemgauer prova que é possível desenvolver moedas complementares à moeda única - e Christian Gelleri, mentor desta moeda alemã, vai mais longe ao propor num artigo criação de uma moeda regio/estatal para os países do euro em crise.  
 
[Sobre Moeda Regio/estatal, apresentada por Gelleri, vide: http://www.eurorettung.org/fileadmin/media/Eurorettung/2012_02_22_Moeda_expresso_em_vez_da_saida_do_Euro.pdf ]  
 
Entretanto, tenho procurado divulgar esta ideia... porém, os economistas não estão familiarizados com o assunto ou tendem a desvalorizar o valor potencial das "moedas complementares" - resignando-se a prosseguir a via austera da permanência do euro. 
 
Porém, confessando-me "sebastianista", creio que o futuro de Portugal passa pelo regresso do "escudo", ou a emissão de outra moeda nacional, sem que tal venha a significar o abandono do euro! 
(Se, como diz Pessoa - «Todo o portuguez que não seja sebastianista é um traidor!» - "Sebastianismo" é "patriotismo", tal não deve significar "nacionalismo". O Mito, se verdadeiro, é "universalista" - logo, o regresso do "escudo" deve ser compatível como a permanência e defesa do "euro"! 
 
Caro Rainer Daehnhardt, venho por este meio solicitar o empenho na divulgação desta causa "patriótica" - a vinda simbólica de D'El Rey D. Sebastião, na representação monetária e material do regresso do "escudo". 
- Como? sugiro a organização urgente de um grupo de trabalho que, entre outros, traga a Portugal Bernard Lietaer (especialista em moedas complementares), Christian Gelleri (chiemgauer - Alemanha), Joaquim Melo Neto (Instituto Palmas - Brasil), Paul Singer (Bancos Comunitários - Brasil), Oliver Willimann (WIR - Suiça) 
 
Grato pela Vossa atenção, 
Os melhores cumprimentos 
 
António Anchas

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