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"Toda a Verdade passa por três fases.
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Segundo, é violentamente atacada.
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Schopenhauer

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Crise moral, falência política
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Por João J. Brandão Ferreira
TcorPilav.(ref.)

Quem sabe entender os políticos?
Quem pode fartar os banqueiros?...
Moniz Barreto
(Carta a El-Rei de Portugal sobre a situação do país e seus remédios, Março de 1893)

A recente crise financeira – que está para durar – veio provar à saciedade que estamos muito longe de viver na tão apregoada “Democracia”. Alguns regimes do planeta serão até, inqualificáveis, mas, no chamado mundo ocidental, aquilo em que vivemos é muito mais uma Plutocracia, isto é, o regime dos ricos.

Se fossem ricos de trabalho sério e produtivo talvez não viesse grande mal à terra, mas, infelizmente, o que tem vingado é a especulação desenfreada, o ilícito, a fuga ao fisco, a lavagem de dinheiro, as tentativas de monopólio, etc.

Escusado será dizer que as preocupações sociais não entram nesta equação. E cada vez mais a fatia maior do mercado é dominada por cada vez menos, reunidos em organizações poderosas e muito discretas, que ninguém elege nem escrutina.

O “mercado” regula-se a si mesmo, de facto, mas pela lei da selva...

Estamos, pois, perante uma crise moral e de princípios profundíssima. Esta crise moral é, ao mesmo tempo, causa e efeito do descalabro político.

A coisa funciona em termos simples da seguinte maneira: os “ricos” financiam e controlam as campanhas eleitorais elegendo quem lhes interessa. Estes, no Poder (pelo menos nominal), têm obviamente de favorecer quem lhes fez os favores. Com o tempo alguns trocam até, de lugares.

Ora, perante os vários escândalos financeiros, muitos deles baseados em operações fictícias – que, pelos vistos ninguém deu conta! – e que prefiguram várias “D. Brancas” Gigantescas, cujo desconchavo levou à actual crise (e resta ver o que está ainda por se saber), o que fazem os governos? Pegam no dinheiro dos contribuintes e transferem-no para os cofres de muitos daqueles que pela sua cupidez e ganância são responsáveis pelo desastre em que estamos. Ao menos os comunistas nacionalizavam a banca, os seguros, etc. e não indemnizavam ninguém. O destino é uma ironia...

A falta de vergonha só tem paralelo na impunidade em que tudo se passa, como é bem ilustrado pela comezaina realizada algures na Côte d’Azur pela administração de um dos maiores bancos belgas, falido, que terá custado a módica quantia de 300 mil euros!

Argumenta-se que não restaria aos governos outra hipótese a fim de não provocar o descalabro do sistema financeiro internacional o que, por sua vez, iria ter mais gravosas consequências. Pode ser, mas tal só será aceitável se se responsabilizar os agentes económicos e financeiros que se portaram mal, bem como os organismos dos diferentes estados que falharam na prevenção das práticas lesivas da boa gestão e dos bons costumes. E, em seguida, produzirem legislação que regulamente eficazmente as normas financeiras nacionais e internacionais.

Se tal não acontecer acarretará o total descrédito da classe politica que, aliás, mesmo afirmando-se da mais fina linhagem democrática, já pouco crédito tem.


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  Comentários (2)
1. Escrito por maria, em 04-11-2008 02:16
Exclente análise como sempre. Um retrato perfeito da gravíssima crise mundial que também nos irá afectar fortemente e que meia dúzia (é uma forma de dizer...) de ganaciosos/criminosos começaram por provocar num primeiro país, mas que irá alastrar com consequências terríveis ao mundo inteiro. E lá vão os povos - mesmo os dos chamados países desenvolvidos, quanto aos dos sub-desenvolvidos nem é bom falar - pagar com fome, miséria e carências de toda a ordem, a loucura de uns quantos psicopatas que lhe estão na origem. Exactamente os mesmos que andam a dar cabo do mundo há várias décadas e sempre impunemente. Até quando irá a parte do mundo "mentalmente sã" permitir esta insuportável desumanidade, é o que se pergunta. 
Parabéns pelo texto.
2. Escrito por Carlos Carmo, em 26-02-2010 21:27
Estas democracias são exactamente o veículo para que todas estas crises, QUE SÃO PROVOCADAS PROPOSITADAMENTE, por quem hoje comanda o mundo ou uma parte dele. Porque os intervenientes nos órgãos do poder são incompetentes e corruptos (Se alguém não obedecer a estes dois quesitos não tem a menor hipótese de chegar a qualquer lado). Portugal (e não só) não têm qualquer hipótese de se salvar se continuar a aceitar esta gente que se instalou, como não tinha noutras épocas como nos anos 20, se não tem havido a revolta militar e muitos militares tiveram o bom senso de colocarem no poder pessoas honestas, competentes e PATRIOTAS (!). Sem isso estamos condenados a ser comidos pelos chineses provávelmente.

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