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Por Jürgen Rose Fonte: Zeit-Fragen Março 2008 «A NATO ainda existe?» – Inquiriu o jornalista Jochen Bittner e continuou cheio de paixão: «A ordem de alistamento (sic) que o Secretário da Defesa americano enviou às Forças Armadas Federais, na semana passada, deverá ter sido o princípio de uma grande controvérsia sobre um justo preço de sangue (sic) a pagar no Afeganistão». Uma prosa destas não só desperta associações com a fase derradeira da guerra total, marcada pela loucura da morte, como também levanta a questão de saber quão obcecado será preciso ser-se para gostar deste tipo de frases. Desejam mais provas? «Começa a esgotar-se a paciência dos soldados anglo-saxónicos para com os “implementadores de furos de água europeus”», constata o escritor Jochen Bittner com um ligeiro desprezo e critica no mesmo tom: «Há muito que alguns soldados americanos apelidam os seus camaradas alemães de cobardes, entre dentes», para acabar por fazer a pergunta disparatada: «Será possível unir a civilidade europeia com as forças das armas da América?»
Será difícil formular a pergunta de uma forma mais simples. Se o mundo puder prescindir, sem qualquer compensação, a um progresso, será à “intensidade de fogo da América”. As centenas de milhar de mortos que a cruzada de George Bush deixou para trás, no Iraque e no Afeganistão, são testemunhas silenciosas disso. Incapaz de qualquer emoção humanitária, em vez de lamentar as vítimas da sua política de guerra, a Strategic Community lastima o possível fim inglório de uma aliança militar obsoleta. Contudo, o desmoronamento definitivo da NATO apresentaria incalculáveis hipóteses para um mundo mais em paz. Estaria votada ao fracasso a tentativa contrária a qualquer direito internacional de, à revelia das Nações Unidas, estabelecer uma aliança ofensiva, sob uma falsa bandeira, de “democratas de primeira água” como prestadores de um serviço de segurança global. Dito de uma forma mais simples: O bode já não podia fingir que era o jardineiro. Estará anunciado o fim do Império Americano, que a NATO serve desde o seu início no Continente Europeu, e para o qual os europeus têm de fornecer, actualmente, carne para canhão para as campanhas de globalização idealizadas na Sala Oval. Ainda que, com o fim da Aliança, o maior perigo para a segurança internacional, na forma dos EUA, não ficaria eliminado, mas estaria drasticamente reduzido. Contudo, será preciso encontrar um substituto para algumas funções ainda essenciais de uma NATO supérflua no restante. Lord Ismay, antigo Secretário-geral da NATO, disse que o objectivo da Aliança era: «não deixar sair os EUA, não deixar entrar os soviéticos e controlar os alemães». Concretamente, isto significava: A Alemanha jamais poderia ser uma potência militar autónoma no coração da Europa. Esta máxima continua em vigor. Precisamente por isso, seria indispensável haver um equivalente funcional para uma NATO prestes a desaparecer. Na perspectiva de todos os vizinhos europeus, só seria possível concretizar a limitação do poder militar alemão se as Forças Armadas Federais fossem integradas num exército europeu que fizesse parte de uma união de defesa europeia. Há muito que os componentes necessários estão disponíveis: No quadro da “política de segurança e de defesa europeia” foi elaborada uma estratégia de segurança própria. Existem estruturas de comando na forma do comité político e de segurança política, da comissão militar, do Estado-Maior do Exército e do Gabinete de Planificação da UE. Além disso, há muito que existem algumas formações militares como, por exemplo, eurocorps e battle groups. A Europa não precisaria de hesitar em agarrar a oportunidade que se lhe está a apresentar para se emancipar dos Estados Unidos. Desta forma, o Continente poderia realmente tornar-se a potência da paz; os implementadores de furos de água europeus teriam vencido os “soldados anglo-saxónicos”. Em vez de continuar a adorar a NATO, qual vaca sagrada, o tempo parece estar maduro para poupar à Aliança um desfalecer moroso, dissolvendo-a rapidamente. Jürgen Rose, pedagogo diplomado, é tenente-coronel das Forças Armadas Federais e transmite neste artigo as suas opiniões pessoais. Lido: 2465
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