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"Toda a Verdade passa por três fases.
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Schopenhauer

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Quantas vidas tem Portugal?
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Por Rainer Daehnhardt

A recente redescoberta de um manuscrito com uma poesia de Augusto Emilio Zaluar, onde este considera o ano de 1580 como o da morte de Portugal, coloca a questão de saber quantas mortes o nosso país já sofreu.

Augusto Emilio Zaluar nasceu em Lisboa, em 1826 e faleceu no Rio de Janeiro, em 1882. O seu idealismo patriótico levou-o a participar na Revolução da Maria da Fonte. Não concordando com o que se passava politicamente no país, acabou por se exilar no Brasil onde se tornou num notável escritor.

A sua poesia demonstra profunda saudade da Pátria e a sua identificação com Camões, pelo menos no que diz respeito à classificação de "proscrito" e de querer morrer com a Pátria.

Os seus versos bem podiam servir para um fado!

Será que tem razão ao afirmar que Portugal morreu com Camões?

Um Portugal, de facto, morreu: o que prefere quebrar do que vergar. Outro, porém, embora subjugado a Castela, manteve a chama viva na alma e quando viu chegado o momento, levantou bem alto de novo a tocha da lusa gente. Ainda hoje se festeja anualmente a Restauração de Portugal e é bom que assim seja. Porém, o Portugal dos Braganças só vagamente lembrou o Portugal de Aviz.

Quando outrora a Lusitânia sucumbiu debaixo da máquina de guerra de Roma, que, à sua maneira, impôs a "Comunidade Europeia" de então, só nos corações dos sobreviventes se manteve a eterna chama.

Foi esta que D. Afonso Henriques soube atear ao ponto de criar a Pátria Portuguesa das cinzas do que outrora foi a Lusitânia. À semelhança da Fénix renascida, levantou-se o jovem Príncipe e o país com ele.

A fidalguia portuguesa já no século XIV considerou Portugal um país terminado e juntou-se a João de Castela contra o Mestre de Aviz, apenas apoiado pela plebe. Este Defensor do Reino, fez-lhes custar caro a sua traição. Coube ao Condestável, D. Nuno Álvares Pereira, o triste dever de ter de mandar cortar as mãos direitas de todos os portugueses que contra o seu reino levantaram a espada (inclusive aos seus irmãos). A lei então vigente a isso obrigou!

Foi o povo que demonstrou que Portugal não morrera!

Quando a Pátria passou de monarquia absolutista para a constitucional e desta para a República, também muitos pensaram que Portugal morrera.

Nada disso! A Pátria não morre com um monarca ou um sistema governamental. A Pátria vive enquanto houver quem com ela se identifique e se empenhe em manter a sua chama viva!

            Camões e a Pátria
            de Augusto Emilio Zaluar

 Peregrino, sè bem vindo!
Quem teus passos encaminha?
    A saudada, linda virgem,
    Saudades da patria minha!

Donde vens? " De longes terras.
    Tua família? - Morreu,
E uma lagrima ao romeiro
Dos olhos se desprendeu.

Triste sorte a do proscripto
Avagar em terra estranha!
E dentro d'alma a saudade!
E que saudade tamanha!

Mas diz-me, qual é teu nome?
    Sou Camões! - disse a gemer.
E que procuras agora?
    Um abrigo para morrer!

Achaste-o pois. bardo luso!
Vem abraçar-te comigo!
Vem, que juntos morreremos,
Que a Patria morre contigo!


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