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A Conspiração da UE
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Como Gorbatchov, Giscard d’Estaing e outros reinventaram a UE

de Vladimir Bukovski

Apontamento de um discurso de Bukovski por Paul Belien

 

Em 1992, fui o primeiro a ter acesso a documentos secretos do Politburo e do Comité Central – documentos esses que ainda hoje, 30 anos após a sua elaboração, continuam fechados à chave. Os documentos provam claramente que o plano de transformar a Europa de um simples mercado comum num Estado-central se baseia num acordo entre partidos europeus de esquerda e Moscovo. Ele foi concebido como um projecto comum, que Gorbachov chamava “a nossa casa europeia comum”.

A ideia era muito simples. Ela surgiu nos anos 1985 e 1986, quando os comunistas italianos, seguidos pelos social-democratas alemães, foram visitar Gorbachov. Queixaram-se que as mudanças no mundo ameaçavam aniquilar totalmente as “conquistas” de gerações, sobretudo após as privatizações e a liberalização da economia, levadas a cabo por Margaret Thatcher. Assim, a única possibilidade de fazer frente ao “capitalismo selvagem”, conforme o denominaram, era introduzir, simultaneamente, idênticas metas socialistas em todos os países. Antes, os partidos de esquerda e a União Soviética sempre se opuseram à integração europeia por a considerem um obstáculo aos seus objectivos socialistas. Mas a partir de 1985 mudaram totalmente de opinião. Os soviéticos e os partidos de esquerda acordaram em trabalhar juntos para sabotar todo o projecto europeu e transformá-lo no oposto. Em vez de um mercado aberto queriam fazer da Europa um Estado-central.

Em consequência dos supracitados documentos confidenciais, deu-se uma viragem, em 1985-86. Publiquei a maioria desses documentos, podem encontrá-los na Internet. As conversações que tiveram lugar naquela altura são muito esclarecedoras. Pela primeira vez, compreendemos que está em marcha uma conspiração que, do ponto de vista dos conspiradores, é para avançar, visto que querem garantir os seus benefícios políticos. Os soviéticos precisavam de alterar as suas relações com a Europa, pois estavam a atravessar uma grave e profunda crise estrutural. E, no Ocidente, os partidos de esquerda temiam perder a sua influência e prestígio. Assim, acordaram numa conspiração e elaboraram-na muito bem. Por exemplo, em Janeiro de 1989, uma delegação da Comissão Trilateral foi visitar Gorbachov. Entre eles estavam Nakasone, antigo Primeiro-Ministro do Japão, Giscard d’Estaing, antigo Presidente Francês, o banqueiro americano David Rockefeller e Henry Kissinger, antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros dos EUA. Eles conversaram amigavelmente com Gorbachov e tentaram explicar-lhe porque é que a União Soviética devia integrar-se nas instituições financeiras mundiais como o Gatt, o IWF e o Banco Mundial.

De repente, no meio da conversa, Giscard d’Estaing toma a palavra e diz: “Sr. Presidente, não lhe sei precisar quando – talvez daqui a 15 anos – mas a Europa será um Estado-central. O senhor tem de estar preparado para isso. Tem de colaborar connosco, com os dirigentes europeus, na forma como vai reagir, da maneira como permitirá aos demais países do leste europeu a interagirem com essa União Europeia ou nela se integrarem. Tem de se preparar para tal.”

Em Janeiro de 1989, o Tratado de Maastricht de 1992 ainda não estava elaborado. Como podia Giscard d’Estaing saber o que se passaria dentro de 15 anos? E, para cúmulo da surpresa, como podia ele ser um dos autores da Constituição Europeia de 2002/2003? É uma pergunta interessante. Não cheira a conspiração?

Felizmente, a parte soviética desta conspiração colaborou mais cedo e não foi possível chegar-se a um ponto em que Moscovo pudesse influenciar o decorrer dos acontecimentos. Mas a ideia original – que os interessados chamavam convergência – era a União Soviética moderar-se um pouco e tornar-se mais social-democrata, enquanto a Europa se tornaria mais social-democrata e socialista. Depois, teriam conseguido a convergência, e as estruturas adaptar-se-iam. É por isso que, desde o início, as estruturas da UE foram construídas de maneira que correspondessem ao objectivo, que se ajustassem às estruturas soviéticas. Não é por acaso que os dois sistemas se assemelham tanto na sua maneira de funcionar quanto nas suas estruturas.

Também não é por acaso que, por exemplo, o Parlamento Europeu faz tanto lembrar o Soviete Supremo. Parece o Soviete Supremo porque foi concebido segundo o mesmo modelo. Se olharmos para a Comissão Europeia, parece que estamos a ver o Politburo. E com bastante precisão, excluindo o facto de a Comissão ter 25 membros, enquanto que o Politburo tinha 13 ou 15. Além disso, são idênticos: Não têm de prestar contas a ninguém e não são eleites directamente por ninguém. Se derem uma vista de olhos sobre as actividades bizarras da UE com as suas 80.000 páginas de regulamentos, lembrar-se-ão do Plano Gos, o plano do Estado soviético. Tínhamos uma organização que planeou tudo o que tinha a ver com economia, até ao último parafuso. E com 5 anos de antecedência. Acontece o mesmo na UE. Se observarmos o tipo de corrupção que existe na UE, verificamos que é idêntica à soviética, que se efectua de cima para baixo.

Se observarmos todas as estruturas e características deste monstro europeu em formação, verificaremos que se assemelha cada vez mais à União Soviética. Evidentemente, trata-se de uma versão atenuada desta. Não me interpretem mal, não estou a dizer que a UE tem um Gulag. Ainda não tem um KGB, embora eu note a existência de tais estruturas, por exemplo, na Europol. Isso preocupa-me particularmente porque essa organização terá, provavelmente, maior poder do que o KGB alguma vez teve. Terá imunidade diplomática. Conseguem imaginar um KGB com imunidade diplomática?

Vão responsabilizar-nos por 32 crimes, dos quais dois dão motivo para grande preocupação. O primeiro chama-se “racismo”, o segundo “xenofobia”. Até à data, tribunal algum do mundo define isso como um crime. Portanto, trata-se de um novo crime. E já fomos avisados uma vez. Um membro do Governo inglês disse-nos que aqueles que eram contra a imigração não controlada do Terceiro Mundo eram “racistas”. E os que forem contra uma nova integração europeia são “xenófobos”. Patricia Hewitt disse-o claramente. Portanto, fomos avisados. Entretanto, importa-se cada vez mais ideologias para a UE. A União Soviética era um Estado governado pela ideologia. A ideologia actual da União Europeia é social-democrata e orçamentalista. Ela consiste em grande parte de correcção política. Estou a ver como a correcção política se está a alastrar e a transformar numa ideologia repressiva. Prova disso, entre outros, é o facto de ser proibido fumar em quase todo o lado. Reparem como foram perseguidas pessoas, como o Pastor sueco que foi processado judicialmente por ter dito que a Bíblia não aprovava a homossexualidade. A França votou uma lei idêntica contra expressões de repúdio aos homossexuais. A Grã-Bretanha votou leis contra expressões de repúdio referentes a relações interétnicas e discursos religiosos. O que podemos observar em perspectiva é a introdução sistemática de ideologias que, mais tarde, poderão ser impostas através de métodos repressivos. Esta é também a disposição funcional da Europol. Senão, porque precisamos dela? Quanto a mim, a Europol é muito suspeita. Observo com cuidado quem é judicialmente acusado, de quê e qual o resultado, é que sou perito neste assunto. Sei como nasce um Gulag.

Parece que estamos a viver na era do rápido desmantelamento sistemático e consistente da democracia. Tomemos o projecto de lei para uma reforma da legislação e do sistema de regulamentação. A lei transforma ministros em legisladores que podem introduzir novas leis sem ter de importunar o Parlamento, ou seja quem for, com isso. A minha reacção espontânea foi perguntar: por que precisamos disso? A Grã-Bretanha sobreviveu a duas guerras mundiais, à guerra com Napoleão, à Armada espanhola e à Guerra-fria, quando uma guerra nuclear podia ter rebentado a qualquer momento. Para tudo isto o país não precisou de uma legislação especial, não teve de anular as nossas liberdades cívicas e introduzir leis de emergência. Por que precisamos disso agora? É a maneira mais rápida de um país se transformar numa ditadura.

Hoje a situação é realmente sombria. Os grandes partidos políticos estão totalmente a favor do novo projecto da UE. Eles são bastante corruptos. Quem vai proteger as nossas liberdades? Dá impressão que estamos a rumar para uma crise grande ou um desmoronamento. O mais provável é dar-se um colapso económico, na Europa, em tempo determinado, devido ao enorme crescimento das despesas e dos impostos. A incapacidade de criar um ambiente de competição amigável, a excessiva regularização da economia e a burocratização vão provocar um desmoronamento económico. Sobretudo, a introdução do Euro foi uma ideia maluca. Um sistema monetário não devia ser uma política.

Não tenho qualquer dúvida de que a UE vai desmoronar-se da mesma maneira que a União Soviética se desmoronou. Porém, há que não esquecer que isso trará uma ruína tal que serão precisas várias gerações para recuperarmos. Vamos pensar no que acontecerá em caso de uma crise económica. A atribuição recíproca de culpas entre Nações será enorme. Poderão dar-se grandes convulsões. Reparem no elevado número de imigrante dos países do Terceiro Mundo que agora vivem na Europa. Isto foi provocado pela UE. Que lhes acontecerá num colapso económico? Teremos, provavelmente, tantas disputas étnicas como sucedeu aquando do fim da União Soviética. Excluindo a Jugoslávia, em país algum houve tantas tensões étnicas como na União Soviética. Aqui acontecerá o mesmo. E temos de estar preparados para tal. Este enorme edifício burocrático vai desmoronar-se sobre as nossas cabeças.

Por isso, digo-o abertamente que temos de acabar com a UE quanto antes. Quanto mais cedo ela se desmoronar menos prejuízos causará a nós e aos demais países. Mas temos de nos apressar porque os eurocratas actuam muito velozmente. Será difícil vencê-los. Hoje ainda é possível. Se um milhão de pessoas avançar sobre Bruxelas, essa gente vai fugir para as Bahamas. Se, amanhã, metade da população britânica se recusar a pagar impostos, nada acontecerá e ninguém irá presa. Hoje ainda pode ser, mas não sei como será amanhã com uma Europol omnipotente e com elementos da antiga Stasi e membros da Securitá a integrá-la. Nessa altura tudo poderá acontecer.

Estamos a perder tempo, temos de os vencer. Temos de nos sentar e pensar, temos de elaborar uma estratégia, rapidamente, para alcançar o maior efeito possível. Se não, será tarde demais. Que dizer? Não estou optimista. Embora tenhamos vários movimentos anti UE em quase todos os países, não chega. Estamos a perder e a desbaratar tempo.

Informação:

Wladimir Bukowski foi convidado pelo Fidesz, um partido húngaro, para o Parlamento Europeu. Após o seu encontro com os húngaros, Bukowski fez um discurso, à tarde, num restaurante polaco, junto ao Parlamento da UE. Ele estava a discursar a convite do United Kingdom Independence Party (Partido da Independência do Reino Unido). Paul Belien esteve presente no encontro e designou o discurso, traduzido para alemão, como sendo particularmente livre.

Internet:

Sátira sobre uma UE totalitária no ano 2023:
www.gustloff-online.de/eu/eurokurier1.htm


Lido: 3104

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