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Por Rainer Daehnhardt Pensionista luso-alemão Pai preocupado de “coriscos mal amanhados” Os Açores são ainda Portugal. Portugal, porém, já não o é! Durante perto de seis séculos de luta pela sobrevivência, com frequentes tempestades, terramotos e erupções vulcânicas, souberam os açorianos criar uma identidade própria, em longínquos rochedos verdejantes, semi-engolidos pelo mar, num isolamento feroz, em esquecimento quase total. Descendentes de colonizadores lusos, flamengos e bretões, lavraram e laboraram, geração após geração, mantendo-se fiéis à sua Fé e seu Rei. Cada vez que a Pátria Portuguesa se encontrava em perigo, foi nos Açores que se levantou o primeiro grito da sua defesa. Nem os piratas ingleses, franceses, holandeses, espanhóis, ou norte-africanos, que tão frequentemente atacaram as suas costas, lhes conseguiram impor outra bandeira.
Na recente Guerra no Ultramar aprenderam muitos oficiais continentais a reconhecer o valor dos soldados açorianos, porque sempre foram os mais destemidos, prontos a arriscar as suas vidas para salvar camaradas em situações desesperadas. O ilhéu não conhece a estratégia do recuo. Só tem mar à sua volta. Sempre pronto a combater, defende as suas convicções e, se necessário, morre de pé, mas não recua. Quando os espanhóis tomaram Portugal (1580) e D. António I (o Prior do Crato), tentou manter Portugal em mãos portuguesas, aguentou-se como Rei de Portugal em Portugal Continental apenas durante cerca de um mês; nos Açores, porém, durante três anos. “MAIS VALE MORRER LIVRE DO QUE EM PAZ SUJEITO”, ainda hoje está inscrito no brasão dos Açores e, embora dito nos Açores por um comandante continental ao negar a sua rendição aos espanhóis, acabou por se tornar um expoente máximo do pensamento açoriano. Quando D. João IV enviou uma esquadra aos Açores, para ajudar os açorianos nas suas lutas contra os ocupantes espanhóis, esta apenas participou nos festejos da libertação destas ilhas, entretanto já alcançada pelos próprios. Em 1829, foi na Ilha Terceira, que se instalou a revolta contra a usurpação do trono luso, a reinstalação do absolutismo e o Santo Ofício. As antiquíssimas cores lusas (de D. Afonso Henriques), o azul e o branco, ressurgiram numa bandeira de uma embarcação que levou a revolução liberal da Terceira a São Miguel. Foi ali que se formou o exército dos Bravos do Mindelo de 7.500 homens. Dos quais, 6.100 eram açorianos, 1.100 portugueses continentais refugiados nos Açores e 300 oficiais estrangeiros (um deles, portador da Torre e Espada, antepassado do autor destas linhas). Desembarcaram no Continente, confrontaram o exército absolutista de 83.000 homens e venceram. Convicção e liderança costumam ter mais peso nas guerras do que a contagem dos homens e do seu material. Quando Portugal passou da Monarquia para a República foram os Açores que deram os primeiros dois Presidentes (Theófilo Braga e Manuel de Arriaga), o que pouca gente sabe. Durante o período turbulento da 1ª República, deu-se a 1ª Revolução Pró-Democrática (1931) nos Açores e na Madeira. A reentrega pacífica, negociada das ilhas, ao poder central, acarretou, porém, um imposto punitivo, que não só tirou aos açorianos a sua moeda própria como acrescentou um imposto extra de 10% sobre todos os outros impostos cobrados para pagar o pequeno navio de guerra, que na altura os madeirenses afundaram (navio pago mais de dez vezes porque o imposto manteve-se até 1975). Em Portugal Continental falou-se muito na coragem da gente de Rio Maior no “Verão quente de 1975”, nos movimentos do MDLP e da “Maria da Fonte”, como primeiros patriotas que se opuseram ao desvio do 25 de Abril. No entanto a primeira revolta popular deu-se ainda em 1974 e no mercado de Ponta Delgada, seguida depois pelo inesquecível “6 de Junho de 1975”, na mesma cidade. Os açorianos sempre foram os mais portugueses dos portugueses e quanto mais se levantaram com seus gritos “Os Açores para os Açorianos” e “Acima dos Açores só Deus”, mais demonstraram que apenas desejam manter a sua própria identidade, negando-se a carregar jugos impostos. Os pais das autonomias açorianas não são do século XX, mas de épocas bem anteriores. Nada moveu os açorianos contra a sua Pátria Mãe, muito os move a favor dos seus Açores. De Lisboa, pouco de positivo lhes chegou. Um alvará de Dona Maria I frisava explicitamente que este proibiu aos açorianos saírem dos Açores. Só quando havia falta de colonos para o Brasil ou Angola é que se autorizava que casais açorianos saíssem das ilhas. Até aos meados do século XX ainda existia uma “Polícia de emigração”, que vigiava açorianos com sinais preparativos de eventual emigração. Esta era interdita por lei. Grande parte dos famosos baleeiros açorianos radicados em New Bedford e Fall River eram açorianos que se aproximavam a nado dos navios de pesca à baleia americanos, que se reabasteciam no porto de Ponta Delgada. Estes navios eram confiscados ou fortemente multados, se admitissem passageiros clandestinos açorianos a bordo, mas podiam socorrer náufragos do mar. Ser açoriano não é simples. O Professor Vitorino Nemésio mostrou bem a açoriana escala de prioridades ao afirmar no seu bem lembrado programa de televisão: “Primeiro sou homem, depois açoriano e depois português”. A grande maioria dos açorianos ainda hoje concorda com esta visão. O eterno centralismo do poder, porém, não a vê com bons olhos. Assim, festejam já a 7ª autonomia como se de um nobre presente se tratasse. Mas, com os constantes pequenos cortes e as permanentes reinterpretações, pouco ou nada resta! Pior ainda, como a Pátria Mãe foi entretanto usurpada por forças internacionalistas que em nada com ela se identificam, obriga, indirectamente, os açorianos a abdicarem da sua identidade, destruindo-a até. Primeiro veio a televisão, depois a droga e a prostituição, seguida pelos crimes mais abomináveis. Agora até o roubo e o assalto são considerados “normais”. Longe vai o tempo em que os açorianos deixavam a chave do lado de fora da sua porta de entrada, não faltasse sal ou pimenta a algum vizinho. Até parecia mal tirar a chave. Longe vai o tempo dos serões musicais e das noites animadas com conversas entre familiares e amigos. A máquina destruidora da ética, moral e dos bons costumes, instalada pelos média, com sua lavagem cerebral, veio para ficar. Tentou-se destruir um dos últimos paraísos com pezinhos de lã. Glorificou-se a América como o “Céu na Terra” e não se compreende que esta descarrega ladrões nos aeroportos açorianos; crianças açorianas desencaminhadas no engano do “sonho americano”, recambiadas agora como pesadelo indesejado. Criou-se uma dependência dos pagamentos pela base das Lages. Quando os mesmos já não chegaram em dinheiro para a região mas em armamento de 2ª mão para Lisboa, procurou-se um novo financiador de fora em vez de criar capacidades próprias. A nova “vaca a ser mungida” passou a ser a Comunidade Europeia. Outro engano grave! A dependência destes financiamentos atingiu entretanto tal gravidade que se pode comparar a situação dos Açores com a de Portugal quando Salazar o salvou, em grave crise pré-colonial-estrangeira, ocupando-se da pasta das finanças. Os Açores possuem todo o potencial para se auto alimentarem e de se tornarem um ponto de referência para a salvação da Humanidade, nos tempos difíceis que para todo o planeta se avizinham. São apenas a “água da mornaça” e o servilismo de alguns que o impedem. Como os Açores sempre guardaram o seu carinho pela sua Pátria Mãe até esta podem salvar. O Espírito Santo os guiará! Lido: 2715
1. Açoorianite Escrito por António Luís Medeiros, em 05-06-2008 16:06 Viva a FLA e o Dr. José de Almeida |
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