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Por João J. Brandão Ferreira* Fui, há dias, acompanhar um camarada mais antigo à sua última morada. Foi um homem bom, um excelente combatente e um Português de Lei. Recto carácter, defendia com denodo as suas convicções e não virava a cara. Serviu a Pátria, não se serviu. Chamava-se Octávio Barbosa Henriques. Era Coronel de Artilharia.
Como é regulamentar nestas ocasiões, e tradição antiga, a condição de militar implica que o Ramo a que o militar pertenceu se faça representar e preste as Honras Militares respectivas, o que varia conforme o posto, funções exercidas e condecorações havidas (quem for condecorado, por exemplo, com a Ordem da Torre e Espada, mesmo sendo civil, tem direito a honras especiais). Estas “Honras” tem lugar tanto em tempo de paz, como em campanha, sempre que as operações militares o permitam. Estando o militar no activo a representação e o número de fardados estará, naturalmente, em consonância com tal condição. O corpo é velado por pessoal fardado e armado e, em certos casos, há guarda de honra ao altar, durante a celebração. Existem ainda particularidades conforme os militares pertençam a um ou outro Ramo/especialidade. Por exemplo, é costume haver sobrevoo de aeronaves da esquadra a que o militar pertenceu, quando se trata de um aviador; e no mar a Armada tem o seu cerimonial próprio, quando o sepulcro é o vasto oceano. Durante a última revisão do Regulamento de Continências e Honras Militares, foram reduzidos os escalões das subunidades a prestar honras (logo menos homens e aparato), alegando-se os cada vez menos efectivos disponíveis (e daí para cá já se diminuiu muito mais...). Deste modo e para o caso presente (trata-se de um oficial superior), restou um pelotão a duas secções: 18 homens comandados por um sargento. Lá estavam em “funeral arma” e deram as três salvas da ordenança. No cortejo, a urna vai coberta com a bandeira nacional (que o defunto jurou defender com sacrifício do seu bem estar, saúde e vida), e atrás segue um oficial/sargento/praça (conforme os casos), com as condecorações, boina ou boné e insígnias, e espada/espadim (símbolo da autoridade nele investida). A urna, sempre que possível, é transportada por elementos da unidade a que pertenceu aquele “que jaz morto e arrefece”, e/ou, por elementos do seu curso ou camaradas de armas. Muito importante – até porque se trata sempre de uma situação muito sensível, é o profissionalismo e organização como tudo se passa e a marcialidade de quem presta as honras militares ou está envolvido na cerimónia – Não deve haver falhas. As “honras” que se prestam são uma homenagem a quem partiu por ter servido as Forças Armadas e Portugal – a nossa terra! –, segundo os ditames da condição militar e de tudo o que isso implica. Mas são, sobretudo, importantes para os que ficam, pois são símbolo da continuidade, referência de comportamentos, elo de ligação intemporal. E porque, independentemente do entendimento ou crença de cada um, ajudam a dar sentido à vida. Numa época desatinada de referências morais, cívicas e patrióticas é fundamental, ao que resta das multicentenárias FAs Portuguesas, manter uma postura impecável, não abdicando dos seus direitos e tradições e não permitir uma beliscadura na sua Dignidade. É possível, até, que os espíritos desorientados que há muito andam a trabalhar para ferirem de morte a Instituição Militar, venham a ter êxito. Mas como não se tem sabido fazer frente a tal desiderato, ao menos que nos mantenhamos iguais a nós próprios, até ao último. Lema artilheiro de muitas épocas proclama que a “Artilharia morre em sentido”! O Cor. Barbosa Henriques, na reforma há algum tempo, não se esqueceu do lema: morreu de pé. * TcorPilAv (ref.) Lido: 3272
1. RIP Escrito por Fernando Ferreira, em 04-12-2008 20:38 Frequentei a EPA em 1990/91 e o na altura Tenente-Coronel Barbosa Henriques era o 2-Comandante da Unidade. A imagem mais marcante que tenho dele era o habito de estar em sentido de punhos cerrados. Paz a sua alma... |
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