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"Toda a Verdade passa por três fases.
Primeiro, é ridicularizada.
Segundo, é violentamente atacada.
Terceiro, é aceite como evidente"
Schopenhauer

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Desde 13/06/06

Carta do Presidente da República do Irão aos cidadãos dos Estados Unidos da América
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Em nome de Deus misericordioso!

Caros cidadãos americanos!

Se não tivessem existido as acções do Governo dos EUA, nesta região, e as suas consequências negativas para os nossos povos; se não tivesse havido distúrbios e guerras, provocados pelos EUA, se não tivesse havido as consequências lamentáveis da ingerência desse Governo nos assuntos de outros países – o povo americano também não ansiaria por Deus Todo-poderoso e por justiça, e não haveria nenhuma tentativa, por parte do governo dos EUA, de impedir a divulgação da verdade.

Se não tivéssemos uma responsabilidade comum em relação à liberdade e dignidade humana, não teria havido motivo para vos dirigir estas palavras.

Há que reconhecer que, embora os nossos países, o Irão e os Estados Unidos da América, estejam muito afastados um do outro, a dignidade e o espírito humano, que falam da nobreza e virtude de todas as pessoas, aproximaram os nossos dois povos.

Estes dois povos rezam a um Deus, buscam a verdade e reclamam justiça, perfeição e generosidade.

Todos nos regozijamos com a expansão da dignidade humana, da amabilidade, do entendimento comum, o respeito pela dignidade humana, pelos Direitos Humanos e a sua defesa, como também a defesa dos direitos dos oprimidos, contra os tiranos.

Estamos todos interessados no bem e no serviço ao próximo, tal como na defesa dos direitos dos oprimidos e deploramos a injustiça e a violação dos Direitos Humanos, e somos contra o ultraje e o desrespeito.

Todos odiamos a mentira e a intrujice, e gostamos virarmo-nos para o bem e a luz, a compreenção mútua e a devoção.

A dignidade Humana de ambos os nossos povos é prova do que acabo de dizer.

Prezados cidadãos americanos!

O nosso povo sempre ansiou pela amizade e cooperação com todo o mundo. Centenas de milhar de iranianos, compatriotas meus, vivem pacífica e tranquilamente no vosso país, produzindo coisas boas e nobres para a vossa sociedade. O nosso povo esteve durante muitos anos em contacto com o vosso e, apesar das severas medidas tomadas pelo governo dos EUA, esses contactos e assas ligações continuam a existir.

Tal como já afirmei, temos preocupações comuns e ambos nos revoltamos com a agitação e a insegurança que reina no mundo.

Ambos estamos preocupados com o aumento diário das dificuldades que os palestinianos têm de enfrentar. Os crimes constantes do governo sionista dificultam o quotidiano dos verdadeiros donos da Palestina. Frente às câmaras e dos olhos dos observadores internacionais, o governo sionista bombardeia os inocentes e indefesos palestinianos, arrasa as suas casas com bulldozers, abate a tiro crianças palestinianas na rua e deixa que as suas famílias fiquem eternamente à espera do regresso dos seus filhos.

Tal como as mães iranianas e americanas, as mães palestinianas também amam os seus filhos e ficam profundamente magoadas quando eles são feridos, presos ou, pior ainda, quando são mortos. Imaginam que existe uma mãe que não esteja muito preocupada?

Não há dia em que os sionistas não cometam um crime.

Há 60 anos que o governo sionista deixa milhões de palestinianos sem tecto. Muitos refugiados morreram no estrangeiro ou em campos de refugiados, os seus filhos envelheceram e continuam a sonhar com o regresso ao seu país.

Sabem muito bem que o governo dos EUA, através do seu apoio constante ao governo sionista, lhe deixa as mãos livres para os seus crimes. Até agora, o governo dos EUA nunca permitiu que as Nações Unidas condenassem o regime de ocupação sionista. Quem pode negar esta injustiça do governo dos EUA perante a Humanidade?

Os governos chegam ao poder para servirem o seu povo. Nenhum povo permite ao seu governo que apoie os tiranos. Mas o governo dos EUA despreza as pessoas do seu país e protege os que violam os direitos dos palestinianos.

Vejam o Iraque. Desde a ocupação do país pelo exército americano, já morreram 150 000 iraquianos e centenas de milhar ficaram feridos. O terrorismo no Iraque alastrou muito. Devido à presença americana no Iraque, nenhum passo foi dado para a reconstrução, o saneamento das infra-estruturas e a eliminação da pobreza. Os políticos americanos utilizam como pretexto a existência de armas de destruição maciça para atacar e ocupar o Iraque. Mas a sua afirmação não passou de uma mentira e de uma manobra de diversão. Apesar da queda de Saddam Hussein, e de o mundo inteiro se ter regozijado com isso, a miséria e os problemas do povo iraquiano pioraram.

Há mais de 150 000 militares americanos, no Iraque, sob o comando do governo dos EUA, longe das suas famílias. Muitos foram mortos ou feridos, e a sua presença no Iraque prejudica o prestígio do povo americano e do governo dos EUA. Repetidas vezes, as mães e familiares dos soldados americanos, estacionados a milhares de quilómetros da sua pátria, expressaram o seu desagrado através de manifestações. E muitos perguntam “Por que nos mandaram para cá?”

Não posso acreditar que estejam satisfeitos que milhões de dólares estejam a ser gastos, por ano, do orçamento americano para esta campanha.

Prezados cidadãos americanos!

Sabem que o governo dos EUA persegue os seus adversários nos sítios mais variados, e que os mantêm presos - sem qualquer processo judicial ou fiscalização internacional – em terríveis cadeias secretas em todo o mundo. Só Deus sabe quem são esses prisioneiros e que sina amarga têm de suportar. Conhecem a triste história dos prisioneiros em Abu Ghoraib e Guantanamo. O governo dos EUA justifica todas essas medidas sob a capa do combate ao terrorismo, mas todos sabemos que tais medidas ferem a sensibilidade do Mundo, espalham o terror e prejudicam o prestígio do governo dos EUA.

As medidas ilegais e imorais do governo dos EUA não se resumem ao estrangeiro.

Todos são testemunhas que, sob a capa do combate ao terrorismo, o governo dos EUA limita os direitos dos cidadãos americanos. Leis e direitos fundamentais são violados. Há escutas telefónicas e qualquer suspeito é detido, espancado na rua ou abatido a tiro. Estou certo que tais medidas não agradam ao povo americano e que está indignado com isso.

O governo dos EUA não se sente obrigado a prestar contas a qualquer organização ou tribunal internacional. O governo dos EUA prejudicou o prestígio das organizações internacionais, sobretudo da ONU e do Conselho de Segurança.

Não tenciono mencionar aqui todas as injustiças e todos os problemas.

O poder e o prestígio de um Estado não assentam em foguetes e bombas atómicas, mas sim na lógica, no direito de Estado e na estima de toda a Humanidade.

Não há dúvida que, com a continuação dos seus actos de violência e as suas actividades secretas, a Administração e as chefias dos EUA vão colocar o seu país numa situação precária. Sem dúvida que a nação americana está insatisfeita com tal comportamento. Aliás, manifestou-o nas últimas eleições. Espero que a Administração Bush tenha compreendido a mensagem da nação.

Não será possível governar melhor acentuando a justiça e o reconhecimento do direito dos povos, e colocar a riqueza e o poder de um país ao serviço da paz, da estabilidade e do bem-estar, em vez de os utilizar para abusos e guerras.

Todos condenamos o terrorismo. Na realidade, as suas vítimas são os inocentes. Será possível eliminar o terrorismo com guerras, destruição e o massacre de centenas de milhar de pessoas inocentes? Se for possível, por que é que o problema continua por resolver? Temos o exemplo do ataque ao Iraque.

Que é que o povo americano ganhou com o apoio dado aos sionistas?

 

É lamentável que, do ponto de vista do governo dos EUA, os interesses do ocupante sionista tenham prioridade sobre os interesses do povo americano e demais povos.

Os sionistas prestaram algum serviço ao povo americano para o governo dos EUA se sentir obrigado aos famigerados e agressivos sionistas?

 

Será que existem dúvidas de que a rede dos sionistas se estendeu a uma grande parte dos sistemas bancários, económicos, culturais e dos media?

Recomendo que, por respeito à Humanidade e aos cidadãos americanos, seja reconhecido o direito do povo palestiniano a viver na sua pátria, para milhões de refugiados palestinianos poderem regressar ao seu país. Depois será possível resolver o problema do terrorismo palestiniano e do futuro governo da Palestina através de um referendo. E isto é do interesse de todos.

 Agora que o Iraque já tem uma Constituição, um governo independente e um Parlamento, não seria vantajoso o regresso dos soldados e oficiais americanos para o seu país? Muito dinheiro seria poupado, podendo ser gasto para o bem-estar da população americana.

Sabem melhor do que eu que muitos americanos ainda estão a sofrer as consequências do furacão Katrina, e há muitos pobres e sem-abrigo nos EUA.

Agora quero dirigir-me aos vencedores das eleições para o Congresso.

Os EUA tiveram muitos governos. Houve governos com grande prestígio e governos que não deixaram boas recordações aos cidadãos dos EUA e demais países.

Muitos de vós fazem parte do governo americano. A História e o Mundo vos julgarão.

Se o governo dos EUA, baseado no direito e na justiça, enfrentasse os actuais desafios, no país e no estrangeiro, podia consertar, até certo ponto, o seu desagradável passado e acabar com a antipatia que os povos de todo o mundo sentem por ele.

Se as coisas continuarem tal como estão, podemos esperar que os cidadãos americanos também recusem o novo grupo político e que estes tenham a sorte do seu antecessor, embora as eleições nos EUA representem a derrota da política do governo e não a vitória da população. Mas isso foi amplamente manifesto na minha carta dirigida ao Sr. Bush.

Resumindo: É possível governar de outra forma que não a força e a injustiça. Podemos trabalhar ao serviço dos critérios comuns humanos, do amor à liberdade e da amizade, sem tenções, sem ameaças, violência e guerras, para alcançarmos o bem-estar e a paz. Através da fé em Deus e do culto religioso, apoiado na moral, a espiritualidade e nos ensinamentos do Profeta de Deus, podíamos levar o Mundo à perfeição.

Nesse caso, os cidadãos americanos que acreditam em Deus e nas religiões divinas, podiam eliminar todos os problemas.

Tudo do que falei representam os meus temores.

Cidadãos americanos, estou certo que podeis desempenhar um papel importante na consolidação da justiça e da espiritualidade no Mundo. As profecias de Deus e dos seus profetas tornar-se-ão realidade, reinará a justiça e a rectidão, e todos os povos encontrarão a verdadeira vida num mundo cheio de amor e fraternidade.

O governo, os que desempenham cargos importantes e os poderosos dos EUA não devem seguir caminhos dos quais não há regresso. Em harmonia com os ensinamentos dos enviados de Deus está a consequência da opressão, que não passa de perdição e ruína. O caminho de regresso à fé e à espiritualidade está sempre aberto.

No Corão está escrito:

“Para aquele que faz penitência e se converte à fé e pratica boas obras, existe esperança de pertencer aos redimidos.

O teu Deus cria e escolhe segundo o Seu parecer e não segundo a nossa vontade. Deus é puro, perfeito e único.”

Por Deus omnipotente desejo honra e glória para os povos americano e iraniano, tal como para os demais povos do Mundo.

Mahmud Ahmadinedschad (3 de Dezembro 2006)


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